Etnografia do Rolezinho

Do meu Facebook:
Em 2009, eu e minha colega e amiga, Lucia Scalco, começamos a estudar o fenômeno dos bondes de marca. Como? A gente reunia a rapaziada, descíamos o morro e íamos juntos dar um rolezinho pelo shopping – o lugar preferido desses jovens da periferia de Porto Alegre. Eles nos mostravam as marcas e lojas preferidas. Eles contavam como faziam de tudo para adquirir esses bens (descrevemos todas as possibilidades em nossos papers). Havia uma agência (no sentido de prazer de Appadurai) impressionante nesse ato de descer até o shopping. Eles não queriam assustar, porque nem imaginavam que discriminação fosse tão grande que eles pudessem assustar. Muito pelo contrário: eles faziam um ritual de se vestir, de usar as melhores marcas e estar digno a transitar pelo shopping. Uma vez um menino disse que usava as melhores roupas e marcas para ir ao shopping para ser visto como gente. Ou seja, a roupa tentava resolver uma profunda tensão da visibilidade de sua existência. Mas noutro canto, os donos da loja se assustavam e cuidavam para ver se eles não roubavam nada. Um funcionário disse à Lucia a mais honesta frase de todas (uma honestidade que corta a alma): “não adianta eles se vestirem com marca e vierem pagar com dinheiro. pobre só usa dinheiro vivo. Eles chegam aqui e a gente na hora vê que é pobre”. Eles, no entanto, acreditavam que eram os mais adorados e empoderados clientes das lojas. Um funcionário da Nike uma vez declarou para a pesquisa: “nós nos envergonhamos desse fenômeno de apropriação da nossa marca por esses marginais”. Mas eles nos diziam: “as marcas deveriam nos pagar para fazer propaganda, porque nos as amamos. Sem marca, você é um lixo”. Quando eu mostrei o Funk dos Bens Materiais em aula, uma aluna de camadas altas comentou: “quando a gente vê a figura toda montada marca estampada, já vê que é negão favelado”. Infelizmente não me surpreendeu o fato de toda a aula ter caído na risada. Esse mesmo tipo de pessoa é aquela que ainda diz que é um absurdo comprar televisão, “pobre deveria alimentar a prole” e ponto final. No programa Papai Noel dos Correios, que eu e Lúcia analisamos, uma menina  desafiava o seu destino: “kiido papai noel: eu me comportei, eu passei de ano, eu cuido da minha vó, meu pai sumiu de casa. Eu só quero uma calça da Adidas!”. Mas vocês podem concluir que cartas como essas são relegadas por meio de uma moralidade escrota: todos os pedidos de meninas e meninos de roupas de marca eram vistos como um desaforo. Que absurdo! Afinal, pobre deve pedir material escolar e bicicleta!
Eu tenho ficado quieta nesse caso do rolezinho porque este talvez seja o assunto que mais seja caro à minha sensibilidade acadêmica e política. Esse tema é justamente o que me faz me afastar de uma certa antropologia vulgar com suas interpretações do tipo “que lindo essas pessoas se apropriam das marcas e dão novos significados e agência e bla blá blá prá boi dormir”. Mas também é este tema que me aproxima ao que a antropologia tem de melhor: ouvir as pessoas. Não há uma grande diferença do rolezinho organizado e ritualizado das idas aos shoppings mais ordinárias (ainda que a ida ao shopping pelas classes populares nunca tenha sido um ato ordinário), eu vejo uma continuidade que culmina num fenômeno político que nos revela o óbvio: a segregação de classes brasileiras  que grita e sangra. O ato de ir ao shopping é um ato político: porque esses jovens estão se apropriando de coisas e espaços que a sociedade lhes nega dia a dia. Quando eu vejo aquele medo das camadas medias, lembro daquelas pessoas que se referiram “aos negões favelados”. E há certa ironia nisso. Há contestação política nesse evento, mas também há camadas muito mais profundas por trás disso.
Eu estou acompanhando os rolezinhos e sinto certo prazer em ver aquela apropriação. Mas entre apropriação e resistência há uma abismo significativo. Adorar os símbolos de poder – no caso, as marcas – dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato. O tema é complexo não apenas porque desvela a segregação de classe brasileira, mas porque descortina a tensão da desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre o Norte e o Sul. E enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica. Por isso, para entender a relação que as periferias globais tem com as marcas e os shoppings, é preciso voltar para os estudos colonialistas e pós-colonialistas. A apropriação de espaços símbolos hegemônicos, desde Mitchell até Newell, passando por Bhabha, Rouch e Ferguson, nos mostra uma permanente tensão na apropriação que tenta resolver a brutal violência que esta por trás desse ato. O meu lado otimista, não nega o que esses jovens nos disseram: do prazer que sentem em se vestir bem e circular pelo shopping para SER VISTO. Meu lado pessimista, tende a concordar com Ferguson de que há menos subversão política e mais um apelo desesperador para pertencer à ordem global. É preciso entender o rolezinho dentro de uma perceptiva do Global South de séculos de violência praticada na tentativa de produzir corpos padronizados, desejáveis e disciplinados.
O pobre no shopping repete a mimeses de Bhabha. A classe media disciplinada vê os jovens vestindo as marcas do mercado hegemônico para qual ela serve. A classe media vê os sujeitos vestindo as mesmas marcas que ela veste (ou ainda mais caras), mas não se reconhece nos jovens cujos corpos parecem precisar ser domados. A classe media não se reconhece no Outro e sente um distúrbio profundo e perturbador por isso. Não adianta não gostar de ver a periferia no shopping. Se há poesia da política do rolezinho é que ela é um ato fruto da violência estrutural (aquela que é fruto da negação dos direitos humanos e fundamentais): ela bate e volta. Toda essa violência cotidiana produzida em deboches e recusa do Outro e, claro também por meio de cacetes da polícia, voltará a assombrar quando menos se esperar.

(6 fotos)

259 comentários sobre “Etnografia do Rolezinho

  1. Simei

    Olá, tudo bem?
    Você tem twitter? Gostaria de segui-la em alguma rede social, para sempre ler seus posts e textos.
    Obrigada.
    Cordialmente,
    Simei Morais

    Responder
    1. Eliane

      Deixa de ser babaca mulher…eles se reúnem pra fazer baderna e ouvir esses funks horrorosos com letras q desonram as mulheres. Pobre nunca foi impedido de entrar ou circular em Shopping e eu nem vou comentar mais nada porque pessoas como vc não iriam entender. Vc tem filho pequeno? Vai com ele pro meio dessa baderna…tem coragem Sra. Politizada? Blá blá blá….

      Responder
      1. Hélio

        Lamentável, seu comentário. Precisa entender um pouco a sociedade e o nosso Brasil desigual, para poder falar algo que preste. O texto está perfeito.

      2. Pense Nisso Que Eu Disse

        O assunto do momento (sabe-se lá qual a duração desse lapso temporal) é o encontro, marcado via redes sociais, de jovens, de maioria pobre e negra, nos shoppings do país para protestar acerca das condições de segregação social. Tal ato recebe o nome popular de ‘rolezinho’. Partindo da premissa que nem todos concordam com tal prática, nasce uma série de indagações acerca do assunto, sendo necessária uma explanação geral para que não saiamos falando besteira por aí.

        Com relação à restrição da entrada dos jovens: ao contrário do muitos dizem, o shopping é uma propriedade privada aberta ao público em geral. A entrada ao mesmo pode ser restringida pelos donos desde que não seja pautada em critérios raciais ou sociais para não incorrer nos crimes previstos na lei do racismo, sendo que tal restrição seja aplicada para todas as pessoas.

        Com a relação à prática de crimes: o ‘rolezinho’, propriamente dito, ou seja, aquele encontro de jovens que visa somente fazer um protesto pacífico, não carrega crime algum. Há crime quando o protesto ganha contornos de violência, gerando quebra-quebra, furtos, etc, devendo ser punido cada infrator na medida de sua culpabilidade.

        Esclarecidas as indagações, posso afirmar que não podemos condenar a prática dos ‘rolezinhos’ no seu sentido original. Um grupo – expressivo – de jovens, que protestam pela sua condição social e pela guerra, na qual perdem várias batalhas por dia, que a própria sociedade impôs: ricos vs. pobres. Tudo excelente na teoria, mas não é o que se vê na prática. Diferentemente, muitos vão para curtir, zoar e porque está todo mundo indo, outros vão para enfrentar a PM, mostrar que são valentões e causar tumulto/baderna/arruaça.

        No meu modo de lidar com a situação, nada deve ser feito para impedir que os ‘rolezinhos’ aconteçam. Esqueçam liminares concedidas judicialmente e deixem de lado a ideia de selecionar quem pode ou não pode frequentar tal shopping. A administração de cada estabelecimento deve atuar no sentido de reforçar a segurança privada já existente no local, bem como acionar a polícia militar para fazer um patrulhamento ostensivo, visando impedir o início da ação do segundo grupo de jovens, que vão para atrapalhar o protesto, impondo o respeito por meio da presença do Estado na figura da polícia. Havendo quebra-quebra e a prática de crimes, o Estado deve agir com proporcionalidade e razão, e não como geralmente fazem usando gás de pimenta e balas de borracha sem o menor controle.

        Sou a favor da teoria da ação pessoal, que afirma que cada um deve fazer a sua parte. Se haverá protesto na avenida X, passe pela rua Y ou se o ‘rolezinho’ acontecerá no shopping Z, faça suas compras no H, mas nunca queira retirar o direito alheio para impor o seu. Cada movimento social reivindica a mudança que julga necessária para otimizar o seu modo de vida. Há protestos por vários motivos, devendo ser respeitada a ideia, a motivação de cada um. Tanto quem protesta, quanto quem nada tem a ver com o assunto da manifestação devem respeitar aquela velha máxima: o direito de um termina quando começa o do outro.

    2. gloria

      Eu nunca vi um jovem de rolezinho roubar ,Mas vi um segurança de terno e gravata do Vale Sul SHOPING, na Avenida Andrômeda do Jardim Satélite , zona sul de São José dos Campos pegar um óculos de uns garotos q estavam sentadinhos num sofá ao meu lado, olhando as passoas passarem.O segurança chegou e mandou os garotos saírem do sofá, os meninos obdeceram e ao saírem um óculos caro caiu no sofá do bolso de um deles, na presa de sair c\ aquelas calças largas e caindo na cintura o dono dos óculos nem percebeu q o perdera. O segurança cretino pegou os óculos e olhou pro outro q estava perto e dando um risinho malicioso, saiu e entrou numa porta q estava fechada, demorou um pouco e voltou sem os óculos , e falou p\ guarda q estava de pé olhando as pessoas q passavam c\ suas compras de natal, aí o p\ guarda “já era, meu, achado ñ é roubado”. Fiquei olhando as atitudes dos dois, ñ fiz nada, eu ñ poderia provar o q acabara de ver O segurança feio sabia q ali ñ tinha câmeras filmando, e eu uma velha senhora de mais de 60 anos, seria a minha palavra contra a daquele “armário”. Não sei se o menino voltou ao sofá p\ procurar seus óculos,pq fui embora, mas tenho certeza q aquele cretino roubou os óculos do menino pelo rizo maroto e bebochado c\ q ele comentou c\ seu comparsa. Evito o máximo pisar nesse ou em qualquer outro shopping, prefiro outras formas de compras.

      Responder
      1. Juliane

        Só para não esquecer que São José dos Campos é aquela famosa cidade que cometeu uma das piores barbáries dos últimos tempos expulsando os moradores do Pinheirinho.

    1. tatyana

      Retardada é você que não tem senso critico nenhum e não é capaz de entender a enorme questão social que está por traz do rolezinho! Deus te proteja da tua ignorância

      Responder
    2. Juca

      Ei Cristiane Rebola… Esse seu comentário é tão inteligente, quanto ao daquela galera que ao ouvir uma critica em relação a abusos da polícia eles falam: “Então quem é que vc chama ao sofrer um assalto?”
      É sério, nao cometa mais esse tipo de mico, queima seu filme… Não seja tão simplista e superficial assim…

      Responder
    3. clau

      So acho q a ‘classe media’, como vc coloca, tb esta bem esmagada e tb nao tem seus direitos sendo devolvidos a nenhum cidadao inclusive a ela mesma. Pense nisso.

      Responder
      1. adriana

        muito bem colocado clau. a reflexão do texto é muito boa e pertinente, mas tbém é unilateral.

      2. Fe

        Clau, a classe media está sim esmagada -por todos os lados-, mas boa parte da classe media se porta da mesma maneira que a turminha do “rolezinho”, exibindo fotos de viagens pela europa, na baira da piscina, comidas e lugares caros que frequentam, exibindo isso para o mundo pelas fotos no Instagram usando seus smartphones.
        Você vê algum problema nisso? Eu não vejo…Assim como a turminha do “rolezinho” também não vê! Por isso eles fazem o mesmo com o que podem alcançar (certamente uma viagem para a Europa está fora disso, ou a foto na beira da psicina no “condominio” onde moram). “Rolezinho” querendo um pouco desse status e a classe media, mesmo reclamando muito (só) nas redes sociais, acaba acatando o tanto de abusos com os valores de tudo superfaturado fazendo aquilo que deveria ser o básico se transformar em “gourmet” ou “personalité” e quem sabe assim essa ralezinh…ops….rOlezinho passe longe. Percebe o círculo vicioso? O rolezinho é só uma reação de tudo que está sendo jogado na cara deles e que essa situação de estar “esmagada” também é só uma reação dessa mesma postura. Pense nisso.

      1. janne

        voce também não deve morar.
        risco,todos nós corremos até dentro de casa.para de ser ignorante a ponto de não perceber que o direito de ir e vir pertence a todo cidadão!!!!!!!use esse discurso para quando os filhos da classe ‘A’, aparecerem de rolezinho pelos morros atrás de drogas….

    4. Mário

      Que argumento profundo, cristiane. É bem assim que funciona a cultura do medo, a segregação, o preconceito e a discriminação. Argumentações rasos de que tem medo até de pensar um pouco e confunde pobreza com bandidagem. Parabéns!

      Responder
      1. Jão

        Vão todos tomar no cú!!!!
        Brasileiro só quer saber de direitos, para os deveres todos fecham os olhos!!!

    5. Karla Melo

      Eu não vou te chamar de retardada por ter sido tão rasa em sua análise sobre um texto que diz tanto em tão poucas palavras, no sentido literal mesmo, porque eu ofenderia aqueles que possuem de fato algum tipo de “retardo mental” no sentido médico do termo. Eu vou apenas dizer que você é muito ignorante ou por opção ou por desconhecimento.

      Um abraço!

      Responder
    6. Cris

      eu nao conheco a autora pessoalmente, mas nao pude deixar de responder. É tao feio quem nao sabe argumentar e parte pra agressao, né? A autora só escreveu um texto com uma opiniao diferente da sua. Seria tao melhor escrever e explicar porque nao concorda ao invéz de partir pro xingamento. Lamentável…

      Responder
      1. gralha

        concordo com vc.. discordo absurdamente do texto que é uma forma unilateral de ver o problema e jogar de novo o velho jogo dos coitadinhos eles não estão fazendo nada demais… mas partir pra agreção é ridiculo… e as respostas agressivas que ela recebeu de pessoas que se julgam muito mais instruidas e inteligentes mostram na verdade o quanto elas não o são… mas fazer oque.. a regra geral é: se vc discorda de mim eu tenho o direito de te xingar…

    7. Ayres

      Cristiane Rebola: Já ouviu falar em agressão gratuita?. Pois é. Duas coisas: Cuidado garota. O mundo não gira ao seu redor (apesar de achar que você deve ter um mundinho próprio) e segundo e mais importante: por favor, não reproduza.

      Responder
  2. Moira L'Abbate

    Engraçado o funcionário da NIKE estar envergonhado dos pobres usarem sua marca… porque é mundialmente sabido que NIKE usa TRABALHO ESCRAVO >:-( e disso ele não tem vergonha?

    Responder
  3. Ives Tavares

    Adorei ler seu texto. Ontem na aula de Estudos Antropológicos das Organizações aqui na UFBA, comentava com meus alunos sobre os rolezinhos e traçamos algumas reflexões sobre eles. Fiquei feliz em ler seu texto, pois tem impressões bastante parecidas com as minhas, além do que me deu mais informações sobre os fatos.

    Responder
  4. Marcos

    A leitura da cabeça e dos desejos dos jovens está ótima. Mas isso não explica porque uma massa entra no shopping de repente. O jovem comum pode estar servindo de massa de manobra para uma hipotética minoria manipuladora. Abraços.

    Responder
  5. Alacir

    Parabéns pelo texto. Tem sido difícil acompanhar o rancor de tanta gente na timeline. Dizem que o problema é falta de vontade de trabalhar (e faltam louças sujas também pelo jeito, vai entender). Eu fico imaginando onde é que trabalham essas pessoas, incapazes de contextualizar o que está acontecendo, de pensar um pouco além do próprio umbigo e dos preconceitos repetidos à exaustão, talvez no almoço de família. Será que no trabalho acham respostas simplistas pra tudo também?

    Responder
  6. Fernando Rufino.

    Disse tudo que eu penso.
    Obrigado por acender uma luz no meio de tanta barbaridade que vejo escreverem e falarem sobre o assunto.

    Parabéns!

    Responder
    1. alex

      Boa, ou quando fores comprar no shopping, que pelo jeito vais, e tiver tanta baderna que tu não conseguirás comprar teus sapatinhos.

      Responder
    2. Karla Melo

      Por que um baile funk incomodaria tanto uma pessoa? Por causa da música alta? Por causa das pessoas que os frenquenta? Me responde, por favor, pois fiquei deveras curiosa. Agora eu fico imaginando porque você é tão simplista e raso ao analisar um fato como esse.

      Responder
  7. Joel Ribeiro Avilla

    Rolezinho é coisa do passado, agora o que eles fazem é arruaça, voce por acaso viu o tamanho dos jovens??
    Duvido que quem os defendem vão aceitar os palavrões, as badernas e tudo mais que eles aprontam quando estiverem com sua familia em algum desses shoppings.

    Responder
  8. Carlos Dalben

    Rosana, boa tarde, seu texto mostra uma visão unilateral da coisa. Logico que não concordo com essa barbárie de se julgar as pessoas pelo lugar de qual elas vem. Mas acho justo se julgar pelas ações que esses mesmos tomam. Assim como você deu sorte, e você viu o lado “bonito e triste” dos “Rolezinhos”, conheço pessoas que viram o lado podre disso. Onde esses mesmos individuos, vandalizaram lojas e incomodaram pessoas, mulheres com cantadas inconvenientes e gays com o mesmo preconceito que eles afirmam receber.

    Tomar uma partido é ser extremista de alguma maneira. Devemos, antes de escrever algo a respeito. Enxergar e querer ouvir as duas partes, e analisar tudo o que está envolvido!

    No mais, sua forma de escrever é fantástica. E mesmo não duvidando do seu ponto de vista, o qual acho valido e realista. Também há outros, igualmente certos.

    Porque em todo lugar, há a gente de bem, e os mau intencionados.

    Parabens por dar a cara a tapa.

    Responder
    1. Rosana Autor do post

      carlos, minha intenção nao foi ter um lado linear, mas responder aos ataques, por isso acaba tendo uma direção. nos meus textos, tb discuto a crueldade que esse movimento pode assumir _ devoção ás marcas nao é revolução, nao se pode ser romântico. e concordo que tem um lado machista e homofóbico. no entanto, queriamos trazer a realidade dos meninos que entrevistamos para tentar fazer um contraponto às agressões racistas e preconceituosas.

      Responder
      1. Carlos Dalben

        Eu entendi completamente! E aqui me desculpo, por não ter lido outros textos teus! É que esse me tocou de uma forma que me obrigou a comentar. Mil perdões!!!

        Mas, infelizmente, tudo que toma ar de “revolução” ou “manifestação” ou qualquer tipo de promover igualdade através da imposição, falha.

        Por outro lado, respeito o desejo de igualdade dos meninos que você entrevistou. Eu não tive uma infância regada de artigos de marca. Sei o quão dificil é você querer algo que te faz parecer melhor do que você é, e igual perante todo mundo.

        Só não concordo com a maneira que isso tomou forma.

        No mais, obrigado pela atenção desprendida. É um prazer imenso entrar numa conversa desse nível!

      2. Claudio

        As favelas são as novas senzalas.
        Causas e consequências de séculos de exclusão!
        Penso que seja oportuno o momento para promover uma reflexão na sociedade…Fato aparentemente visto como curriqueiro e banal, carrega em si uma mensagem implícita da insatisfação de um segmento da sociedade privada de exercer cidadania plena.
        Rosana, parabenizo pela matéria, aborda com clareza um tema delicado, que carece profunda reflexão dos poderes públicos e sobretudo de nós enquanto indivíduos.

        Aproveito para adiciona-las aos contatos do Facebook.
        Abraços

    2. Edson Cunha

      Não vejo pecado na defesa de um ponto de vista e não entendo isso como uma exclusão implícita aos outros pontos de vista. Eu também gostaria de ler textos — baseados em ideias e fatos, não em preconceitos e discursos fáceis — sobre os outros pontos de vista válidos, sem dúvida.

      Responder
    3. Débora

      O texto dela foi bom, mas as suas observações foram excelentes. Maniqueísmo e rotulações cansam, sejam eles encampados por “qualquer lado”, além de levarem a uma visão segmentada e parcial.

      Responder
    4. André Araújo

      Prezados, vou comentar com um Post que também coloquei no Facebook e gerou/tem gerado muita discussão a respeito.

      Mas antes da leitura, acho importante tentar definir o “Rolezinho” que entendo como o encontro de um grande grupo de jovens em um Shopping para correr, gritar, pular, dançar, enfim, para se divertir em seus corredores.
      >>> Note que não estou nem considerando aqui que haja atos ilícitos nesta ação, presumindo que os mesmos não aconteçam (ex: depredações, saques, brigas, xingamentos, etc.).

      Sobre os “Rolezinhos”
      Vou direto ao ponto: para mim, não são toleráveis.

      Explico: Os Shoppings (locais onde têm acontecido os tais Rolezinhos) não são espaços públicos, são locais PRIVADOS. Eles têm ACESSO público, mas NÃO SÃO PÚBLICOS.
      Qual o motivo desses grupos se reunirem em Shoppings para praticarem os seus “Rolezinhos”? Eles podem fazer isso em espaços efetivamente PÚBLICOS, como ruas, praças, parques, etc… Mas não! Querem fazer nos Shoppings… Por quê?

      Muitos se esquecem que essa história tem dois lados: um que é o dos jovens que querem “só se divertir” e o outro que é o dos lojistas dos Shoppings – que pagam impostos, aluguel, taxas e funcionários para manterem sua loja e o Shopping funcionando, mas começam a ver diminuir seu movimento por causa da “ação divertida” dos jovens que resolveram “apenas se encontrar para correr e se expressar” dentro do Shopping no qual mantém sua loja.

      Se você fosse o Administrador do Shopping, faria o quê?
      Permitiria o “Rolezinho”?

      E se você fosse um lojista, também aceitaria?
      Ou ficaria incomodado ao perceber que seus clientes começam a evitar sua loja por causa dessas atitudes, que na prática não têm nenhum objetivo maior, senão a pura diversão dos jovens que combinaram de se encontrar ali…

      Ou será que o “Rolezinho” é um “protesto”?
      Mesmo que seja, não é ali, dentro de um Shopping Center – repito: espaço PRIVADO – que ele deve ser realizado.

      Aliás, queria ver quem aqui ficaria tranquilo estando passeando em um desses Shoppings e, de repente, avistasse 50, 100, 200, 500 pessoas correndo em sua direção apenas para “dar um Rolezinho”…

      >>> Note que não citei nada a respeito de classes sociais, simplesmente por considerar que esta prática não cabe em nenhuma classe, seja ela a menos ou a mais favorecida. Para mim, “Rolezinho” não deve ser tolerado em nenhuma delas, a não ser que aconteçam em espaços públicos.

      Li em um dos comentários (Matheus – não sei o sobrenome), mas achei que cabe perfeitamente aqui:
      “O meu direito termina onde exatamente começa o direito do outro e como eu disse não me importa a classe social. Isso em nada tem a ver com segregação, tem a ver com falta de educação, falta de bom senso, falta de autoridade. Eu disse autoridade e não autoritarismo.”

      Precisamos aprender a arcar com as consequências de nossas ações.
      Shopping não é local para sair correndo. Se chamassem a atenção do meu filho por estar com um completamente inadequado para o local que ele estivesse frequentando, estariam me ajudando a ensiná-lo o que é RESPEITO e LIMITE.

      Claro que não sou a favor de violência, mas ORDEM e RESPEITO são fundamentais para vivermos em SOCIEDADE.

      Realmente eu não consigo entender correlacionar tudo o que acontece no Brasil com segregação e preconceito. Não que isso não exista. Claro que existe e devemos combater, mas dizer que o “Rolezinho” é uma expressão da revolta da sociedade, para mim é uma ‘formação de barra’ muito grande.

      Luta contra o preconceito racial e discussão sobre desigualdade social, não têm nada a ver com isso! Aqui é questão é muito mais de RESPEITO que qualquer outra coisa.
      Basta de hipocrisia!

      Responder
      1. Thais K

        André a questão aqui discutida é mais profunda do que apenas pensarmos como os lojistas e demais comerciantes dos shoppings bem como seus respectivos clientes se sentiram. Falamos aqui de um movimento social que remete muitos pontos de vista a cerca do que está por trás desses “rolezinhos”. Posso falar do ponto de vista psicológico assim como a nossa amiga Rosana nos fala do ponto de vista antropológico. Para que possamos entender um assunto que em primeiro olhar parece-nos simplista, devemos aprofundar melhor nossos conhecimentos, é esse o papel de diferentes estudos, fornecer subsídios, resposta para tal fenômeno pesquisado e o que de fato está por trás desse fenômeno. O modo como aconteceu e quem foi prejudicado e tudo mais não está em questão aqui nessa postagem, mais sim o entendimento social e cultura do evento em si.

      2. nina

        se os shoppings fossem espaços privados você estaria certíssimo, mas são espaços públicos.

      3. Drielle Pereira

        Vamos ironizar um pouco os seu texto. Moço logo se vê que o senhor é de Extrema Direita….. Os shoppings representam o ápice do capitalismo, assim como os bancos e tal, e qualquer suposta “vulgarização” de tais ícones dói tanto em vocês né? Que dó estou com pena de você, sinto muito por jovens invadirem seu local PRIVADO e tentarem impor sua cor, sua voz, seu modo de vestir. Como eles ousam? Acho que esqueceram que deveriam estar nas senzalas de onde seus ancestrais saíram erroneamente né Joel. Vou orar aqui para que esses jovens “vândalos” que conturbam a paz do seu ambiente privado para que recuperem a consciência de que não devem sair da periferia, afinal lá tem pracinhas e campinhos de terra batida onde eles podem se manisfestar. Que feio Joel, liberte-se do sistema ele domina você.

      4. André Araújo

        Olá Thais,
        tento compreender esta situação, mas não consigo enxergar esta profundidade toda que você e outras pessoas têm citado.
        Realmente para mim a coisa é muito mais simples do que parece.
        Durante minha adolescência e juventude eu também morei no subúrbio e tinha minha turma. Nós também fazíamos o nossos ‘Rolezinhos’ pela Zona Sul, mas sempre soubemos que se abusássemos, teríamos que arcar com as consequências dos nossos atos. Mas o nosso objetivo sempre era a DIVERSÃO. Nada tinha a ver com revolta, luta de classes ou algo que o valha.
        Para que você tenha uma ideia, veja o Post da leitora Adriana Ramos, em resposta a um dos comentários aqui mesmo nesta discussão, exemplificando e mostrando o que passa na cabeça das pessoas que estão organizando os “Rolezinhos”:
        “E A TÍTULO DE ILUSTRAÇÃO, um depoimento sincero de quem sabe o que faz. Diferentemente de quem teoriza sobre o que ele realmente está intencionado a fazer.”
        https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/1510832_587117271363734_225416637_n.jpg

      5. André Araújo

        Olá Nina,
        Veja bem: o Shopping é sim um espaço PRIVADO.
        Ele tem ACESSO PÚBLICO, mas é PRIVADO. E como tal, o seu proprietário pode definir e exigir que se cumpram as regras de comportamento aceitáveis para aquele ambiente.

        Vou ilustrar com um fato acontecido comigo mesmo em Belo Horizonte:
        No último sábado (dia 11/01/14) fui impedido de entrar em uma loja de conveniência de um Posto de Gasolina por estar SEM CAMISA.
        Eu usava bermuda, chinelo, boné, mas estava sem camisa. E por isso a atendente me barrou logo na entrada da loja, me explicando que ali dentro não era permitido circular sem camisa.
        Compreendi, não criei polêmica, não entrei na loja.
        Eu tinha duas opções: ir embora e não comprar ou buscar uma alternativa.
        Optei pela segunda e pedi à vendedora para apanhar os produtos que eu queria, enquanto aguardei do lado de fora da loja, respeitando a regra.
        A funcionária me tratou com educação, mas fez cumprir a regra da loja.
        Eu aceitei e respeitei.
        Nem por isso me considerei desrespeitado ou vítima de preconceito, racismo, segregação ou algo que o valha….
        Apenas havia uma regra, EXPLÍCITA (existia uma placa na porta da loja informando que era proibido entrar sem camisa) e eu a respeitei, pois não a considerei abusiva.

        Agora me responda: Se o estabelecimento é SEU, VOCÊ determina as regras, concorda?
        Na sua casa é assim. No seu estabelecimento também será.

        Pois bem, voltando ao Shopping Center: ele é um espaço PRIVADO, que tem acesso PÚBLICO – exatamente como a loja citada acima. E eu entendo que as regras determinadas pelo seu proprietário e/ou gestor para o acesso e permanência nesses ambientes devam ser respeitadas, desde que não sejam abusivas.
        Caso eu não concorde com alguma regra, basta ir embora e nunca mais voltar lá.
        Eu não tenho visto Shopping nenhum barrando frequentador por conta de sua classe ou sua cor. O que tenho visto é um esforço par a manutenção da ORDEM do local. Isso eu acho justo e correto.

        Se um grupo de 100, 200, 500 jovens BEM VESTIDOS (e pretensamente RICOS) resolverem fazer um “Rolezinho” correndo, gritando, enfim “se divertindo” num desses Shoppings, vc acha que será reprimido ou não?

        Pense nisso.

        Um abraço,
        André.

      6. André Araújo

        Drielle, você ironizou o meu texto.

        IRONIA: Isso, por si só, já configura um ato desrespeitoso, já que penso estarmos num ambiente democrático, desenvolvendo uma discussão sadia e, presumivelmente, de alto nível intelectual.
        Da mesma forma que recrimino a maneira baixa com que alguns aqui se referiram à Rosana Pinheiro (autora do Blog), eu também não gostaria de ser tratado desta forma por você. Você não me conhece para definir o que eu sou ou não sou. E se conhecesse um pouquinho, é bem provável que se envergonhasse muito das palavras que me dirigiu.

        Se você não gostou do que eu escrevi, argumente, contraponha, mostre a sua maneira de pensar, se expressando com EDUCAÇÃO e RESPEITO.
        Mas ironia… Não.
        Triste isso.

        Seja feliz e continue com suas orações, mas talvez seja melhor direcioná-las a você mesma.

      7. Guilherme Moll

        André, excelente o seu comentário. Embora eu concorde com a Rosana que o assunto é muito complexo, e acho que ela foi muito feliz no seu texto (embora não concorde muito com o “lado” que ela supostamente escolheu, ela trouxe um ponto de vista que eu desconhecia e que vale a reflexão).
        Acho que o tema é muito complicado sim, e deve ser amplamente estudado e analisado. O fato destes jovens estarem agindo dessa forma está sim, na minha opinião, relacionado com segregação, preconceito e etc. Mas isso não dá para eles (ou qualquer pessoa) o direito de agirem desta forma. Como o André falou, se trata de um local PRIVADO.
        É importante entendermos as consequências desse tipo de manifestação. Separei alguns pontos para pensarmos:
        1. Frequentadores/compradores intimidados: Por medo, ou simplesmente por não ficarem a vontade com os “rolezinhos”, é muito provável que passem a frequentar/comprar menos nas lojas. Isto impacta diretamente nos proprietários das lojas, que possuem custos fixos altíssimos para estarem lá. Os baixos resultados destas lojas podem resultar em comissões menores para vendedores, demissões, ou até mesmo no fechamento delas. O shopping perde, os clientes perdem, os empregados perdem, o empregador perde.
        2. Fechamento do shopping/loja: Mesma situação do item um. Os custos fixos para ficar em um shopping são muito altos, e impactam diretamente nos resultados dos lojistas.
        3. Envolvimento da polícia: A exigência do envolvimento com a polícia (confesso que desconheço o grau do envolvimento) tira os policiais de outras demandas (uma vez que policiais não se multiplicam). Nós já não moramos no país mais seguro do mundo, e sequer contamos com a mais extensa/qualificada polícia. Tirá-los de urgências maiores é muito grave.

        Quanto ao comentário da Drielle – este sim deveria ser “ironizado”, como diz ela – acho que ela poderia refletir sobre como seria ter seu espaço privado (a casa, por exemplo) “invadido”. Falar dos outros é sempre muito fácil. .

      8. André Araújo

        Guilherme Moll, muito bem observado.
        Também vi o texto da Rosana como um alerta e uma maneira diferente de pensar.
        Entretanto, tudo o que li, assisti e ouvi até agora me remetem a um ímpeto juvenil (muito natural pela própria idade de quem organiza os Rolezinhos).
        Inclusive, vi em mais de uma fonte que as pessoas que organizaram os primeiros Rolezinhos (que antes era chamado de “Encontro com Ídolos da Internet”) nem participam mais desses movimento, pois o objetivo deles era outro: se encontrarem com as pessoas que conheciam apenas pela Internet para tirar fotos e paquerar.
        O objetivo agora é outro: BADERNA!

        Eu continuo defendendo que trata-se de um problema de EDUCAÇÃO, falta de RESPEITO e de LIMITE.

        Veja o exemplo acontecido neste último Domingo (19/01):
        Um grupo de “Jovens”, aborrecidos devido à Polícia ter interrompido um “Baile Funk Ao Ar Livre”, resolveu “Tocar o Terror” na vizinhança: Invadiu e saqueou um Supermercado. Depois, invadiu um Posto de Gasolina, espancou e roubou o dinheiro dos frentistas e ainda arrombou a Loja de Conveniência do Posto, a saqueando também.

        Isso tudo já seria um completo ABSURDO, mas o pior ainda estava por vir: um dos participantes desse grupo, não satisfeito com tudo o que já tinham feito, ainda acionou a mangueira de gasolina e tentou…. EXPLODIR O POSTO!!!!!
        VOU REPETIR: E_X_P_L_O_D_I_R O POSTO!!!!!!!

        As imagens estão aqui:
        http://r7.com/RvXf

        A que ponto estamos chegando com a falta de LIMITES e com a IMPUNIDADE disseminada na nossa Sociedade… Se não tomarmos atitudes para manter a ORDEM, onde iremos parar?
        E se o Posto fosse seu?
        E se esse MARGINAL tivesse conseguido explodir? Quantas pessoas morreriam?
        E se fosse NA SUA CASA???

        Fica a reflexão novamente.

  9. joao machado

    “Eu estou acompanhando os rolezinhos e sinto certo prazer em ver aquela apropriação. Mas entre apropriação e resistência há uma abismo significativo. Adorar os símbolos de poder – no caso, as marcas – dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato.” Concordo com você, quando os negro americanos comecaram o movimento de ocupação dos lugares públicos reservados aos brancos, eles estavam buscando a igualdadede poder frequentar os mesmos lugares sem serem discriminados, porém o que está acontecendo no Brasil é uma disputa de classes em poder adiquirir os mesmos bens que os das classes mais privilegiadas. Eu sinceramente desejo que as pessoas tenham cada vez mais acesso e condições de comprarem aquilo que desejarem, o problema é que a mentalidade é que voce precisa ter um certo objeto para se sentir aceito pela sociedade. Nossos valores estçao invertidos, ao inv~es de ser alguem, é preciso ter e usar certas marcas que são símbolos de poder econômico e de classe social. Espero que o movimento continue, que as pessoas possam frequentar todos os lugares sem discriminnação, mas também desejo que os valores se invertam e que as pessoas possam se sentir, e serem realmente aceitas pelo que elas são e não pelo que possam vir a possuir.

    Responder
  10. Ronald Rios

    É uma boa análise, é uma boa dissertação.
    É a realidade do jovem pobre? É! É triste? É claro que é!
    Isso valida o “rolezinho” em espaços privados? Não. Nem um pouco.
    Ninguém está coibindo a liberdade de locomoção dos cidadãos de periferia. O ‘rolezinho’ nada mais é do que baderna organizada por facebook, aonde 6.000 pessoas se juntam única e exclusivamente para fazer baderna em um local familiar. Caso esse ‘rolezinho’ fosse um grupo de amigos e/ou familiares, de até umas 20 pessoas, ninguém estaria impedindo a entrada. Questão de bom senso. Coisa que não vem nos bolsos de uma calça adidas.

    Responder
  11. Mário

    Minha dúvida é: Essa opressão e tentativa de ‘existir’ para outros, legitima a ação dos jovens nos shoppings?
    O que eu vejo na mídia são jovens gritando e ‘causando’ nos shoppings. Não sei se de fato esses rolezinhos são assim. Se forem, essa atitude é legitimada pela causa dela?

    Abraços é ótima texto!

    Responder
  12. Diogo Olle Galvão

    Hum.

    Não sei como é o rolezinho de Porto Alegre (embora seja Gaucho) mas reza a lenda que aqui no rio o buraco é mais embaixo. O rolezinho gaucho talvez seja mais civilizado do que o carioca – entrariamos num bairrismo estúpido, mas então porque tem tanta gente dizendo que muitos deste tem quem faça “arrastão” ou aproveite pra roubar?

    Acho que existem diferênças gritantes de cultura de um estado pra outro. Quando vi que era em Porto Alegre, notei que o lance pode ser diferente, ainda mais aqui, Rio de Janeiro, a cidade do arrasto e da impunidade.

    Responder
    1. José

      Diogo, cuidado com a generalização. Ademais, o fenômeno em evidência vem de São Paulo. Há diferenças naturais entre lugares, mas incorrer em bairrismo – principalmente tentando negá-lo – é uma forma assaz equivocada de entender a vida e as pessoas.

      Responder
  13. Adriana Ramos

    CONCORDO COM ESSA PARTE:
    “enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica.”

    O conceito de felicidade/necessidade/possibilidade precisa ser revisto. Segundo os discursos mais acadêmicos e recheados de citações de experts nas questões teóricas as classes sociais parecem uma coisa inventada por ETs. Ninguém sabe, ngm viu, do nada começamos a existir como muito pobres, muito ricos ou a maldita classe média que visualiza a pobreza como inferno mas não se sente pura o suficiente para estar no céu da riqueza.

    Diferença social sempre vai existir.
    O que deve ser combatido é a maldição de que a pessoa é “obrigada a pasteurizar seus desejos, vontades e uniformizar suas aquisições para ser ALGUÉM”.

    O abandono intelectual/mental/emocional a que as pessoas – INDEPENDENTE DE CLASSE FINANCEIRA (chamo de classe financeira) – se sujeitam é impressionante e indigno de um “ser superior entre as raças”.

    Alimentar a prole é obrigação de qquer responsável por uma prole. Rico ou pobre.
    Queria meter a mão na cara do filho da mãe que OBRIGA AS PESSOAS A TEREM PROLE.

    Os quatro fantasmas do Apocalipse devem ser responsáveis por isso. Óbvio. A saber: o sistema, o governo, a sociedade e a cultura. Malditos. São eles que nos fazem abandonar o cérebro, a dignidade, o amor próprio e partir para a ignorância de querer o que não podemos comprar, de desejar a pessoa que é famosa, de idolatrar marcas (estúpidos) como se fossem a coisa mais determinante e fundamental na sua “ideologia de vida”.

    Não há saída.
    As pessoas precisam SE RESPEITAR.
    A roupa que cabe em mim não cabe em vc. A parede linda da sua casa não está na minha casa. O número de filhos que vc pode criar tranquilamente eu não posso. Então, eu devo entender o que eu posso fazer. E me obrigar a fazer isso. Eu tenho que entender o que eu sonho e ir em busca dele sem usar os Fantasmas do Apocalipse como muletas. Se vai demorar mais ou menos, vai depender daquilo que eu fizer quando acordo de manhã, dos valores que eu dou para as coisas (sim, as pessoas DÃO VALOR ÀS COISAS HJ EM DIA), do tempo que eu dedico às pessoas, do que eu faço no fim de semana, do aproveitamento que eu faço dos recursos que eu consigo economizar. Ou vc conhece algum fumante que abriria mão de seu vício por um cursinho extra no fim de semana? Jamais né? Abrir mão assim, de duas coisas tão fundamentais pra quem é injustamente desfavorecido monetariamente, nem pensar… Como poderia ficar sem o vício (que alimenta marcas) e o churrasquinho do fim de semana (que mantém a rede de supermercados empregando os pobres que não foram planejados).

    O ciclo não vai acabar.
    Talvez em 1000 anos.
    Quando as pessoas entenderem o que fazem QUANDO FAZEM FILHOS.

    Responder
  14. Docinha

    Gostei do texto, mas acho que você está colocando apenas um ponto de vista e isso faz com que quem o lê o concorde ou descorde, deixando dúvidas para que cada tópico abordado precise ser aprofundado. Acredito que você esteja justificando algo que muitos desses jovens estejam participando por diversas razões e nenhuma citada por você, infelizmente as pessoas são influenciadas por um senso coletivo, sem pensar em consequências e princípios. Dessa forma eu não apoio o rolezinho porque dentro dos shopings há trabalhadores e todas as classes sociais, os quais se sentem inseguros, tanto por serem violentados ou prejudicados, pois os donos das lojas são afetados minimamente, agora os trabalhadores são SUPER afetados e prejudicados, sendo que eles, muitas vezes, tem amigos e familiares participando desses rolezinhos e os intimidando direta ou indiretamente….

    Responder
  15. Maurilio Atila

    Gostei do texto;

    Me sinto muito feliz mesmo de ver amigos e pessoas dessas comunidades que trabalham na rua (vendendo cachorro quente, saugadinho), buscando a vida como officeboy, motoboy, ou numa linha de produção da vida, ou mesmo desempregados, entrando com tudo nesses espaços (centros comerciais, shoppings,…), cheio de muros, materiais e imateriais, um lugar que ate quem é cego tem o desejo de partilhar, pelo cheiro que tem, quem vê logo entende que deve ir para lá, para pertencer.

    No final entendo a perversidade por trás do glocal do M. Santos. Acredito que o atrito sempre existiu o que mudou foi a quantidade, agora são torrentes, e acho que isso é revolucionário, rompeu com o bater de ladinho e esta batendo de frente. Consciente ou inconsciente essa movimentação é algo benéfico para a periferia.

    Sempre estivemos nos shoppings, hora brincando de dar perdido nos guardas, bebendo um vinho/cerveja, compartilhando as tag de picho, dando uns beijos. Todo mundo que foi jovem na periferia sempre foi nestes espaços mesmo que fosse a pé. Por conta disso o proconceito existia estava onde nós estivessemos, mas ele era camaleonico.

    Agora ele esta se mostrando. Isso ensina. Sua aluna nós ensina. Mas nunca incomodamos tanto. Sou cotista em universidade publica, faço Ciência da Computação, tenho grandes amigos, mas nós incomodamos. Os jovens de agora estão perdendo o medo, acho que eles são mais “gardenal”, tem mais valor. Talvez menos causa. Mas isso pode ter certeza é o menor dos problemas. Isso se resolve no role, ou nós roles, pela ciência, tecnologia e sociedade. Pois se estamos assim é porque nós tiraram nossa história.

    Responder
  16. Gustavo Lima Rios

    Texto interessante mas o ponto é outro. Qualquer um de qualquer classe social pode ir ao shopping a hora que quiser. O problema é fazer isso num grupo de 6000 pessoas jovens querendo fazer bagunça. Qualquer um pode me visitar, mas se aparecerem 1000 pessoas em casa não vai dar certo.
    Não existe nada de político ou social. As pessoas estão usando isso para revelarem suas opiniões políticas, falar sobre direitos de ir e vir, de segregação, apartheid, de punições… O problema é matemático. Num país como o Brasil onde temos grandes grupos vandalizando bancos, ateando fogo em carros e causando brigas em estádios, somos tão malucos por tomar cuidado quando 6000 pessoas unidas chegam a um mesmo local?

    Responder
  17. Andrei

    Tanto blablabla para m* de conclusão nenhuma. E grandes m* se um adolescente idiota de classe média ou um funcionário tb idiota falou besteira e mostrou preconceito contra um pobre, isso acontece com frequencia mas não é a norma, e isso não justifica esse ódio à classe média e esse rancor que se tenta passar aos mais pobres contra classes sociais superiores. Tinham que acabar com esses cursos universitários inúteis que só criam filhotes de marx e de suas ideologias delirantes, além de criarem defensores de bandidos. Aliás, pobre pode trabalhar e ser honesto, como a maioria do pobres e não pobres são. Esse discurso de ódio a determinadas classes sociais deveria ser tratada da mesma maneira que é tratado o racismo, e o marxismo da mesma forma que o nazismo é tratado, tudo no mesmo barco, na cadeia. ps: chama a galerinha para um rolézinho na tua casa!

    Responder
  18. Caio

    Reflexo do paternalismo que vivemos ha muitos anos !!! Tudo que vem de graça nao tem valor !!!! Na epoca dos nossos avos (muitos vieram da Europa com uma cueca na mao) trabalharam duro desde crianca ! e hoje possuem bens (reflexo de uma vida de trabalho) e sao chamados de burgueses !!!! Tenho 38 anos anos de idade, trabalho desde os 17 anos, paguei minha pos, nao tenho filhos pois sei a responsabilidade e custos disso……mas para a classe “sustentada” ter filho é renda !!! É muito comum ver meninas dessa classe entre 13 e 17 anos com filhos atras do bolsa familia !!! Nao tenho filho mas estou sustentando muitos por ai (atraves dos impostos que pago) para as maes ficarem dancando quadradinho de 8 e os pais cantando o funk da ostentação !!! é brincadeira !!!! Fora as que estao trocando o bolsa familia por ” calca da Adidas” !! Isso é historico, nao da pra negar….a classe dominante é a que dita as regras, os modos, as tendencias….muito comum ver roupas de uma marca nova sendo usadas pela classe dominante depois de um tempo comecar a proliferar para classes “menos favorecidas” atraves da pirataria da marca. A verdade é uma só: pode estar vestido de ouro, roupas de marca, etc….é so abrir a boca que ja sabemos quem é quem ! Organizar rolezinhos é facil ! dificil é encontrar alguem ali com 15 anos com 2º grau completo e que ja tenha lido um livro !! Mas pra que isso neh ? Quadradinho de 8, funk da ostentação…..passar horas do dia no facebook organizando essas palhacadas sao mais importantes do que ir atras, suar a camisa para fazer algo que agrege sua cultura……isso nao….pois sou pobre e o Governo TEM QUE ME SUSTENTAR !!!!! Rosana, da uma pesquisada…o proconceito do pobre com o rico é muito maior do que o rico com o pobre. O pais, sua população so cresce com trabalho, desenvolvimento…..nao me venha falar que falta oportunidade !! (Cursos tecnicos com vagas sobrando) Falta é interesse e vergonha na cara !!!!

    Responder
    1. paola muller

      Caio PARABENS!! Seu comentário é na verdade um hino de uma classe média que trabalha para sustentar vagabundo e que está clamando por mudanças!!

      Responder
    2. Débora

      Bem…tudo tem dois lados…o trazido pela autora (parcial) e o seu (parcial)…façamos uma síntese apos a tese e antítese…..

      Responder
  19. Camila M.

    Muito bom texto. Eu acho engraçado que na época do churrascão em Higienópolis em protestos à mudança de endereço da então nova estação houve certo barulho, mas nada como agora. O povão favelado ainda estava na rua, que era o seu lugar, certo? E Higienópolis está logo ali, naquele centro cheio de indivíduos que Pinheiros e arredores tenta evitar. Mas agora que decidiram adentrar a redoma brilhante da classe A conhecida como JK Iguatemi, a coisa ficou séria de verdade. Quem a gente pensa que é pra tentar destruir uma tarde de compras da dondoca de Pinheiros, não é? O meu lado mais iludido acredita que dois ou três dos frequentadores do shopping vai passar a ver que a solução não é ele se esconder nos palácios de cristal que os afastam das classes “inferiores”.

    Responder
  20. Cesar Galves Mangini

    Ser aceito, “transgredindo a regra”, que é a de “ficar no seu devido lugar”, um paradoxo.
    Quem dera o rolezinho fosse mais um ato de insurgência ao status quo, tendo como elementos basicos a dominação, exploração e segregação, do que uma tentativa em ser mais dos mesmos, ou seja, brincar de ser classe media.

    Responder
  21. Rafael

    Se fosse apenas um rolezinho beleza , mas é arrastão , é crime , é som alto , é perturbar a paz dos outros . Morram funkeiros.

    Responder
  22. Yolanda

    Li o texto, gostei muito! Porém, penso que a maior discriminação vem da educação! Porque quando se viaja pelo mundo, pode se observar todo tipo de pessoas e de tratamento, mas percebe-se que nos países que se tem uma base educacional igual para todos, as pessoas se sentem mais “igual”. Todo ser humano quer ser aceito! Ultimamente aqui no Brasil um assaltante não se contenta mais somente em roubar um carro caro, joias ou qualquer outra coisa de valor, tem que “eliminar” de modo cruel os donos de tais objetos de desejo do mesmo. Creio que estamos em plena “guerra civil”. Penso que só se resolve , esta situação, mudando o modo que se trata as crianças desde a sua gestação até a fase adulta. Você fala de pessoas da raça negra, porém neste contexto estão, também, os brancos, mestiços, índios! Aqui no Brasil, já faz tempo que, todos que são pobres são discriminados em todos os sentidos, porque como diz a pobreza tem cara! Pode se observar no jeito de andar, comer, se vestir, escolhas, carências, desejo de ser aceito e etc. Os pobres não tem acesso ao mínimo de cidadania! O que os ricos aprendem nas escolas pagas, o pobre nunca terá acesso! Agora com o Governo Federal dizendo que todos os cidadãos que ganham aproximadamente até três ou quatro salários mínimos pertencem a classe média, o que é uma enganação, um dia eles levantam da cama mais ” iluminados” e descobrem que “estão sendo enganados” e começam a se sentirem muito pior que antes! Assim, os ricos, constroem os muros dos condomínios fechados, onde de um lado pessoas tidas como “civilizadas” e do outro como “selvagens”, porém a segundo grupo cresce mais do que o primeiro, e já os muros não servem para proteger nenhum dos lados. Isso só acontece porque desde a gestação já são discriminados e em nenhum momento eles tem chances efetivas de poder desenvolver todo o seu potencial, porque partem de bases muito distintas! Um ou outro consegue ser tratado com dignidade e se desenvolver, porém a maioria não tem chance alguma de chegar ao paraíso do “capitalismo”.

    Responder
  23. Nivaldo

    Muita teoria, pouca opinião. Quero ver lembrar de todos esses filósofos quando estiver na porta da Maria Filó pra comprar uma blusinha e dar de cara com a horda de adolescentes fazendo arruaça. O problema não é um cara da favela no shopping. Tampouco 10 deles juntos, seja apenas olhando ou pagando em dinheiro os tênis mais brilhantes da Nike. O que pega é ir de bando. Qualquer sociólogo desses que você citou sabe que toda massa não é só burra, como estúpida. Em grupo somos animais famintos. Um grupo de hienas é mais sociável que um grupo de humanos, ainda mais sem líder ou objetivos, querendo apenas se mostrar uns aos outros, chamar a atenção das menininhas do bando. Nesse meio, pro moleque mais esquentado, mas honesto e trabalhador, jogar uma pedra na vitrine e tomar bala de borracha na nuca, é um pulo. Sorte deles se os shoppings conseguirem barrar essa zona.

    Responder
  24. Izaú Veras Gomes

    Rosana, gostei muito do texto.

    O que tenho visto até então é o debate, muitas vezes superficial, sobre a luta de classes. É na verdade uma explicita luta de classes que tem acontecido no meio virtual. Infelizmente muitas vezes nem sequer chega a ser uma luta, é mais um “diálogo” fechado entre pessoas que possuem o mesmo pensamento.

    Por que quase ninguém coloca em questão a real necessidade do shopping, seja para o rico ou pobre???

    Não nego a necessidade de se manter os embates e reflexões entre as lutas de classe; entre o direito privado e o direito de ir e vir; e os outros vários “entres”…mas porque não refletir sobre a ideologia consumista imposta para qualquer classe???

    Felizmente muitos de nós entramos na roda da discussão…mesmo sem querer…o que por si só já é positivo…

    Responder
  25. Akin Ribeiro

    Concordei em algumas coisas, discordei em outras. Mas o ponto que eu vim abordar foi o dito no texto, de que as pessoas de classe social elevada usam constantemente o argumento de que “pobre” deveria usar o dinheiro em coisas mais produtivas do que roupas de marca. Nesse ponto eu concordo. Veja bem, isto não é privar o “pobre” do acesso às grifes (virar grife, ou virar “marca” é provavelmente um fenomeno cultural e socialmente imposto pelas camadas superiores, mas não sou o especialista para tratar do assunto, você certamente deve ter uma boa opinião àcerca disso). O ponto é a otimização do dinheiro em prol de um futuro no qual o “pobre” possa ter o sossego de se dar esse luxo, ou ao menos aos seus filhos. Sei que é fácil tentar fazer essa análise quando você faz parte da camada dita opressora, dominante, mas eu digo honesta e sinceramente que, em situação adversa (se eu fizesse parte da classe reprimida) eu não procuraria aceitação social por meio de vestimenta, e sim de esforço. Portanto, acho sim que o “pobre” deveria direcionar seu dinheiro à sua educaçao e ao seu sustento, ao invés de comprar roupa de “marca”. É questão de sobrevivência. Você não sobrevive com uma camisa da nike, mas com comida na mesa. Você não consegue comida na mesa com uma camisa da nike, mas com um emprego. Você não consegue um emprego com uma camisa da nike, mas com estudo (e oportunidade, coisa raramente dada às classes menos favorecidas, confesso, mas é ponto para outra discussão)

    Responder
  26. Didi

    Oi, Rosana. Gostei muito do texto. Vc pode passar a referência completa do Ferguson que vc citou? Fiquei interessada. bjs

    Responder
  27. Rafael Carvalho

    Sério me apaixonei pela forma simples e emocionante, no meu ponto de vista, que você explanou sobre o assunto, mesmo não concordando em alguns pontos e aspectos, você está de parabéns, você em uma simples passagem me fez mudar um pouco a minha opinião. Parabéns!

    Responder
  28. Room H320 (@room_h320)

    Parabéns, Rosana, adorei o texto. Ele me fez recordar uma passagem por POA depois de afastado dois anos fazendo pós no interior de SP. Era uma sexta-feira, escurecia e eu esperava na fila abrirem a porta do “centralão”, o ônibus pra NH. Só gente-de-bem na fila e eu. De repente chega um grupo de pessoas “cor-de-cuia”, gente simples. Na correria para não perder o centralão nem percebem a fila e vão direto pra porta do ônibus. A fila, em pânico disfarçado, se desfez e as pessoas se agruparam lá longe, perto da traseira do ônibus enquanto os recém chegados me perguntavam se aquele era o ônibus pra NH. Confesso que até aquele dia eu não tinha percebido o medo/repulsa que a classe média tem dos pobres, depois que caiu a ficha eu comecei a ver o óbvio. Confesso, também, que eu talvez fosse assim antes de ir morar no interior de SP e viver no meio de gente “morena” como falam por aqui.

    Responder
  29. Liane

    Gostei muito do texto! Esclarecedor. Concordo que estamos falando de indivíduos oprimidos todos os dias, e como cidadãos tem os mesmos direitos de ir e vir! Porem ha vários relatos na mídia dos comportamentos deste jovens. Como não ficar no mínimo incomodada, se ao passear no shopping, um grupo de pessoas (aí na não interessa a classe social) passar fazendo zueira, gritando e segundo alguns depoimentos depredando e roubando? Isso só retrata a fragilidade do sistema educacional no nosso país que passa de pai para filho. Abraços!

    Responder
  30. Paulo Silveira

    Rosana. Bom texto. uma dúvida: Um funcionário da Nike uma vez declarou para a pesquisa: “nós nos envergonhamos desse fenômeno de apropriação da nossa marca por esses marginais”.. Você aqui diz “funcionário da Nike”. Quem seria? Um simples vendedor ou um gerente de marketing na sede da Nike Brasil? Eu apostaria que é um simples vendedor, pois para a Nike esse não é apenas um fenomeno bom, como é um fenômeno desejado.

    Responder
  31. Chico Gorman

    Excelente texto, e importante ponto de vista. Ainda busco entender melhor esse fenômeno dos “rolezinhos”.

    Fico pensando, pq tanta gente com raiva deles? Será que sou eu o alienado? Por achar mais que certo essa “pseudo” apropriação? Assisti a um documentário chamado Hiato, de 2008, que trata de um rolezinho em 2000, e me pareceu que naquela época as pessoas em geral eram menos alienadas do que hoje. Quer dizer que regredimos?

    Mas realmente não tinha pensado no seu ponto de vista. Como é ruim essa idolatria as marcas e a um local que é marca registrada do consumismo. O que será que é pior? Os “vida boa” alienados que acham um absurdo a periferia querer ir ao shopping, ou a “luta” da periferia de querer ser mais um desses alienados?!

    Entendi direito? Me expressei de acordo?

    Documentário mencionado a cima: https://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg#t=38

    Seguindo!

    Responder
  32. Maria

    Achei a sua análise perfeita -”O tema é complexo não apenas porque desvela a segregação de classe brasileira, mas porque descortina a tensão da desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre o Norte e o Sul. E enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica.” Parabéns – é bom ler coisas boas no meio de tantas tosquices!

    Responder
  33. Klaus

    Reflexão muito precisa, Rosana, na imprecisa (mas igualmente precisa/necessária) e difícil tarefa de entender os fenômenos sociais, especialmente aqueles do país da Casagrande e da Senzala.
    Parabéns e gratos não só pela sua contribuição ao debate, mas também à percepção das pessoas.
    No mais, imagino que deve ter visto, mas há outra reflexão igualmente pertinente sobre o mesmo tema, vinda da Eliane Brum (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/527204-rolezinhos-o-que-estes-jovens-estao-roubando-da-classe-media-brasileira-por-eliane-brum).
    Tudo de bom!

    Responder
  34. Charles Benigno

    Tenho acompanhado com certa perplexidade a tentativa de transformar os rolezinhos em estudos estnográficos, antropológicos, sociológicos… Até li um artigo remetendo esse comportamento à velha e ultrapassada visão da luta de classes. Atribuíram o rechaço a esse comportamento à uma classe média indignada com seu templo de consumo sofrendo um sacrilégio. Essa tentativa de muitos de se mostrarem grandes intelectuais que analisam com propriedade um fenômeno social, passando por vezes por filosófos rasos e débeis, tenta tornar complexo algo que é simples: tudo isso não passa de uma baderna de um punhado de jovens que querem um pouco de emoção e curtição. “Zoar”, como dizem. Morei na França, um país onde não existem favelas. A distribuição de renda é assustadoramente melhor. Acompanhei esses rolezinhos em praças públicas. Ninguém foi ao shopping. Os franceses, tão educados e cientes dos direitos coletivos e individuais, não tolerariam esse abuso. Aqui no Brasil tentamos simplesmente criar desculpas para um comportamento inaceitável ao criar riscos aos outros e ultrapassar não somente os limites da lei, mas para a propriedade privada. Ah, você não gosta da propriedade privada? Ou só gosta quando se trata de sua casa, de seu carro, de sua casa de praia? Pois é… deixe então fazerem um “rolezinho” no jardim de sua casa de praia… Doe seu carro para os mais necessitados… A defesa de comportamentos como esse é feita sempre quando se trata do suposto “burguês” que está sendo ameaçado. Afinal, a culpa de tudo de errado no país é dele, não é? Mas quem é esse burguês? 99% dos que estão escrevendo esse tipo de artigo se enquadram nessa categoria. Mas, por incrível que pareça, se excluem como culpados, como atores do processo. Falam de uma elite que é um ente estranho, meio que invisível, não delineado, com mente própria, como uma entidade de umbanda, com raciocínio e comportamento coordenado, de vida própria. Façam-me o favor, a coisa é simples: isso é pura baderna. E só.

    Responder
    1. Daniel Gomes

      Parabens Charles. Concordo com vc. Isso pra mim não tem nada de ser excluido, briga de classes ou “apartheid brasileiro”, como ja li muita gente se referindo a esse tipo de atitude. Isso é pura e simples baderna, afinal, ir ao shopping gritando letras de funk em grupos e correndo, não me parece comportamento de alguem que quer ser visto com suas roupas de marca a fim de afirmação perante a sociedade.

      Responder
    2. Camila Dias

      Sua colocação foi excelente! Você conseguiu descrever a situação exatamente como ela é. Estão tentando transformar um ato de violência ao direito coletivo em uma “pseudo-revolução” que não existe! Parabéns pelo comentário!

      Responder
    3. Tatiana Benevides

      Também morei na França. Para começar, eles têm praça pública e é possível circular por ela. Também atendi moradores de rua, orientando sobre os serviços públicos. Uma vez, depois de três horas conversando com eles (que, em geral, quando você vai entregar lanches, não pegam muito, para sobrar para a próxima pessoa que estiver precisando), passei num supermercado para comprar detergente antes de ir para casa. Ver aquele mundo de coisas, num contraste com a realidade que eu acabava de presenciar, foi uma das experiências mais violentas que eu já tive, Mil vezes pior do que o assalto que eu sofri. Algo que era, sim, bem nebuloso para mim até então. Que se repete também toda vez que vc passa por um fre shop numa viagem intenacional, que está ali para te provocar apelos a um consumo inútil. Então, não acho essas análises inúteis. Independente de minha classe social, compreender a realidade em que vivo é o mínimo para me posicionar em relação a ela. E aliás, a classe média sempre fez rolezinho (vide o “pendura”, da faculdade de direito da usp), e ninguém nunca falou nada.

      Responder
    4. Claudia

      Concordo Charles…rolezinho é a baderna pura e simples, inútil qulquer tentativa de muitos intelectuais, principalmente com viés de esquerda, de teorizar esses movimentos…aposto que se perguntarmos para a grande maioria desses jovens o que os motiva a participar, tenho certeza de que será diversão, paquera e pegaçao, uma mera balada, só que no shopping… É muito simples perceber isso ao ver as muitas imagens divulgadas….Muitos desses jovens nao se interessam por política, luta de classes, apropriação de espaços públicos, enfim, não tem a menor idéia do que esses conceitos significam, e tampouco, tem qualquer interesse nesses temas. Qualquer reunião desordenada de jovens, correndo, gritando e causando o caos como aconteceu nesses encontros ocasionará o pânico de quem estiver no local, independente de classe… Não podemos ser tolerantes com esse comportamento. A que ponto chegou a intelectualidade brasileira, a ponto de ficar politizando um evento desses… Simplesmentente rídiculo!

      Responder
    5. André Araújo

      Olá Charles, concordo plenamente contigo!
      O Brasil está vivendo um momento de oportunismo exacerbado por parte de alguns que tentam teorizar e justificar tudo o que acontece no país com “levante das classes menos favorecidas”. Péssima herança deixada pelos movimentos de protesto acontecidos em Jun/2013 (que apesar de legítimos e exemplares no início, posteriormente também foram distorcidos). Que pena.

      Vou me permitir reproduzir aqui o comentário de uma outra leitora aqui mesmo no Blog, para exemplificar os objetivos da juventude que organiza os “Rolezinhos” e começarmos a desmistificar mais esta situação:

      Adriana Ramos:
      E A TÍTULO DE ILUSTRAÇÃO, um depoimento sincero de quem sabe o que faz. Diferentemente de quem teoriza sobre o que ele realmente está intencionado a fazer. https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/1510832_587117271363734_225416637_n.jpg

      Responder
  35. Weslei Rodrigues

    Gostei bastante. Gostaria que tivesse junto uma bibliografiazinha. Alguns autores que vc citou são familiares, outros não.

    Ademais, gostei da fuga pela tangente (não fuga como escapatória, mas como alternativa, ponto de fuga) desse círculo de entusiasmo em torno do rolezinho, como se fosse algum tipo de prática emancipatória.

    Abraço!

    Responder
  36. Felipones

    belo texto, cheio de informações interessante que estimulam a reflexão. Porém, me parece que pecou um pouco na conclusão. Em geral, os rolezinhos estão acontecendo em shoppings da periferia que, portanto, são prioritariamente frequentados pela própria população que mora na periferia, sejam oriundos da classe média ou não. O que tenho lido na minha timeline são comentários contrários à maneira como o rolezinho está sendo realizado e isso não tem, na minha opinião, nada a ver sobre o quanto cada um ali tem ou não de dinheiro ou roupa. Reuna 600 playboys e os faça começar a gritar e invadir lojas aos bandos no JK Iguatemi e veja se a reação da população será diferente. A questão é o quanto se tem ou não de educação. Não dá pra jogar essa na conta da classe média, né?

    Responder
    1. Débora

      pois é, eu tb…nada falando de “pobre”, sim de falta de respeito, gritaria, cantadas chulas.Mas creio que exista tb esse lado trazido pela autora, que ao se aprofundar numa perspectiva de análise da situação, fatalmente caiu em parcialidade.

      Responder
  37. Pâmela Guimarães

    Rosana, boa tarde!
    Obrigada por compartilhar seu texto.
    Reflexão muito valida. Imagino que o intuito, obviamente, foi mostrar “do ponto de vista” dos participantes do “Rolezinho”, certo?!
    Abraços, Pâmela

    Responder
  38. Felipe

    Boa tarde!
    Entre tantos comentários escrotos que li pela net nos últimos dias, fico feliz em ler um bom texto. Parabéns.
    Acredito que muitos falarão, se fosse vc no shopping , se fosse sua família xingada, etc. Porém esses mesmos se esquecem como tratam as pessoas que as rodeiam, conseguem perguntar algo que as aflige, conseguem transmitir algo bom para esses jovens que são explorados pela sociedade mais consumista que existiu nos últimos 4,5 bilhões de anos? Provavelmente não. Logo Logo vejo que o que aconteceu no “Elisium (filme)” ira realmente acontecer.

    Responder
  39. Gustavo Resende Quezada

    Olha esse fenômeno das marcas se dá em todo nível social.
    Enquanto uma secretaria executiva em inicio de carreira deixa de almoçar para comprar uma bolsa cara, para “tentar” se igualar a uma diretora.
    Um jovem da periferia faz de tudo para comprar uma determinada marca e se “igualar” a outro jovem abastado que vai para balada com um estilo mais “malokeiro chic”.

    Não consigo concordar com a forma de “valorização” das pessoas tendo em conta o quanto fulano ou beltrano gastou em seu look. Mas restringir esse tipo de pensamento a classe baixa é hipocrisia.

    Para os estudiosos de marketing, como é meu caso, acho engraçado ver marcas como Stanley, Fubu, Cyclone, Khelf, Onbongo conseguiram cair em desgraça depois entrarem no gosto “popular”. Me lembro de uma conversa com um policial que me disse:”Quando o cara anda de Onbongo, eu enquadro mesmo”.

    Na outra ponta temos marcas como a Zara que em toda Europa é tida como popular, mas aqui no Brasil consegue passar a impressão de grife europeia e cobra caríssimo por tudo, não caiu no gosto da classe baixa mais sim caiu no gosto da classe média emergente.

    Voltando para o lado antropológico da coisa. O problema da nossa sociedade e que a ostentação , está na marca, na posse e não no conhecimento ou opinião.
    Quem nunca mediu o sucesso do outro colega pelo carro que tem, por onde mora ou pela roupa que usa?

    ROSANA minha cara, adorei seu texto e certamente vou procurar mais artigos de sua autoria, parabéns pelo texto!

    Responder
  40. Nuno Arthur

    Eu acho que o texto mostra muita coisa. Mas sinceramente não vejo que isso seja uma realidade em todos os lugares não.
    Moro em São José dos Campos, SP, e aqui existem 3 shoppings maiores.
    Em todos eles vemos uma miscigenação cultural e financeira.
    Obviamente que é perceptível os “aglomerados” de certas classes. Os jovens mais ricos frequentam horários e ambientes diferentes. Geralmente vão ao cinema, que é um lazer mais caro. Usam roupas mais características de playboy e patricinha.
    Mas não entram em conflito com outros jovens góticos, emos, roqueiros, e até os funkeiros.
    Na verdade os funkeiros são sim mal vistos pela sociedade, e posso afirmar que isso não se trata de classe social, pois ali no meio tem muito filho de papai.
    O maior problema nesses rolezinhos é o fato da baderna. E está partindo justamente dos jovens que usam boné de aba reta, tênis nike e camisetas de times de futebol. Cordões de prata e ouro, relógios grandes e óculos escuros enormes. Esse tipo de vestimenta não caracteriza uma classe social, e sim um estilo, e no caso, esteriotipado como “estilo baderneiro”. E com razão, já que estão fazendo arruaça.
    Todo esse preconceito vem acontecendo por culpa deles mesmos. E nada tem a ver com classes sociais. Aglomerados de jovens passou a amedrontar famílias que passeiam e lojistas que já sofreram arrastões e pequenos furtos.
    Isso tem que ser contido sim, e reprimido.
    Eu penso que se fosse ao contrário, os rolezinhos fossem feitos por playboys usando lacoste, passariam a ter medo e criar um preconceito contra esse tipo de vestimenta.
    Cada ação tem sua reação, e este episódio está aqui para provar isso.
    Antes desse tipo de vandalismo, era bem comum ver em alguns shoppings o negão de roupa larga e boné de aba reta comprando um nike caro. E sinceramente eu não acredito que os lojistas tenham algum tipo de preconceito por eles. Muito pelo contrário, eles sabem qual é o público que mais consome, pagando em dinheiro, ou não.
    Esse tipo de comentário sobre um lojista da nike que vc citou só deve acontecer em shoppings voltados para um público classe A. Cada um no seu quadrado. Eu não sou rico, mas também não uso roupas de funkeiro, e por isso não frequento esses shoppings classe A, pois sei que não é pra mim.
    Vejo muitas “tiazinhas” com sua “prole” nos shoppings, nas praças de alimentação comendo lanches, comprando coisinhas nas lojas americanas, e roupas de marca. Sinceramente nunca vi nenhum tipo de preconceito nos shoppings da minha cidade. Eu particularmente não gosto de ir aos shoppings mais cheios, que são sempre os que tem as pessoas mais simples. Prefiro os shoppings mais vazios, para andar com calma e poder conversar num tom mais baixo. Mas isso não é preconceito. As classes mais pobres frequentam os 2 tipos, os mais cheios e os mais vazios.
    Creio que isso sempre irá existir. Essas diferenças são reais em alguns lugares, mas graças a Deus, não em todos eles. Eu ainda acho que cada um deve procurar aquilo que gosta e sente prazer.
    Eu não me sinto bem em restaurantes chiques, e nem em lojas caras. Primeiro que não tenho dinheiro pra gastar nisso, e depois que não faz parte da minha vida, e eu nem quero que faça. Com certeza existem shoppings mais chiques e outros mais simples. E tenho certeza absoluta que pessoas mais pobres transitam normalmente em todos eles. Desde que não andem em bandos de centenas de pessoas, intimidando lojistas e famílias. Educação e respeito existem em todas as classes sociais.

    Responder
  41. Cyrus Afshar

    Muito bom seu texto, Rosana! Parabéns. É uma leitura de quem fez o que nenhum analista se deu ao trabalho: ir a campo, pesquisar, ouvir.

    Embora discorde de você em um ponto importante: vejo o “rolezinho” como um ato profundamente subversivo – o que não invalida a luta pelo reconhecimento (o “ser visto”) que você defende.

    Outra coisa é que eu tenho muitas reservas com o conceito de violência estrutural que você lançou no final e que é muito usado na literatura… acho um conceito que turva a realidade, borra os conflitos, os agentes, e não ajuda a explicar por que a violência acontece da forma que acontece (como, na verdade, você o fez no texto sem precisar do conceito).

    Mas, enfim, belíssimo texto. Merece ser compartilhado (tem tanta besteira no espaço público da internet, que quando leio um texto bom, assim, dá até esperança de coisas melhor).

    Responder
  42. Pingback: “Rolezinho”: uma brilhante ação de desobediência civil | Novas Cartas Persas

  43. Pingback: Etnografia do Rolezinho | Midiafazmal - crítica de mídia

  44. Cristine

    Revolucionário é todo aquele que querendo mudar o mundo, tem a coragem de começar por si próprio. A revolução começa quando se muda costumes existentes e não, IMITAR os de quem lhe “oprime”.
    Toda violência (desde falar mal de “pobres” (colocar em “seus lugares”) ou assaltar um shopping é fruto apenas da pessoal incapacidade de se aceitar. Aceitar-se como um SER DIGNO de ser amado.
    Se você precisa de um bem material para se sentir melhor, é porque caiu na mentira mais antiga do mundo (uma propaganda enganosa). Desde que o Homem existe, um tenta obrigar ao outro a fazer exatamente o que ele quer. Através da força (guerra, escravidão), ideologia (religião, teses políticas) ou psicologia (sentimento de inferioridade).
    A onde cada um quer ficar preso? Todos somos livres para escolher!

    Responder
    1. Dragoni

      isso com certeza seria uma resposta satisfatória, se fosse simples. Não estamos falando de pessoas individualmente, mas de toda uma classe de pessoas, e estamos tentando aqui fazer um diagnóstico: se todas as pessoas da periferia caíram em uma propaganda enganosa, entendemos que tal propaganda enganosa é muito eficiente e que está incutida no imaginário de toda essa classe. Não podemos ignorar o fato de que não existe nenhum incentivo para que essa mudança de consciência aconteça. Os jovens são bombardeados por toda parte por carrões, por placas, anúncios, televisão, novelas, tudo apontando que o segredo da felicidade está em determinado produto, determinada marca, determinado padrão de vida que está fora do alcance. Os pobres e os ricos fazem parte da mesma sociedade e compartilham dos mesmos valores que permeiam o pensamento do brasileiro.

      É muito fácil julgar e dar uma solução pra uma pessoa ou grupo de pessoas sem entender realmente que as coisas são assim e têm um motivo pra que sejam assim, que as motivações são complexas e que as respostas deveriam também ser complexas.

      Responder
  45. Ana

    Gostei da sua reflexão, Rosana. Mas pergunto quais as diferenças entre os “rolezinhos” que tu enografaste em 2009 e este novo fenômeno que surgiu com as festas de fim de ano? Será que este “rolê” continua com os mesmos objetivos (ser visto) ou já tem ido muito além após tanta repressão e violência policial?

    Responder
  46. Marco Pires

    Quero agradecer muito por suas palavras. Trabalhei durante quase vinte anos nas periferias paulistas, com jovens, crianças, idosos, adultos… Foi minha grande formação “acadêmica”, conviver diariamente com a exclusão personificada, iludida pela aquisição de objetos e roupas de “marca”. Concordo com tudo o que você escreveu. Parabéns pelo trabalho!

    Responder
  47. Bruno Araújo

    Ola Rosana, primeiramente ótimo post.

    Na minha opinião, esses “Rolezinhos” que estão acontecendo não tem muito a ver com o que a gente via a uns 4 5 anos atrás. O movimento que acontecia como você se referiu no inicio do post era bem mais “civilizado” que os que estão acontecendo. Hoje em dia a mulecada quer ostentar como dizem os cantores de funk, querem carro, moto, dinheiro, Enfim, tudo para mostrar que tem tudo o que quiser. Não concordo com essa ideia de invadir shoppings para fazer baderna, furtos e etc pois muitos que frequentam os shoppings aos fins de semana são familias com crianças e idosos e isso preucupa. Esses rolezinhos podem acontecer sem problemas e acho um absurdo isso de selecionar quem entra e quem sai do local . Espero que estes garotos e garotas que fazem isso tenham consciência do que estão fazendo e que isso futuramente pode trazer consequências.

    Abraço

    Responder
  48. Katia

    Ótimo texto Rosana!!! A dia Classe C, responsável por boa parte das vendas nos shoppings, portanto que consome e muito ao revelar-se no espaço privado, com status de público, tem sua presença cerceada. Paradoxo das elites brasileiras?

    Responder
  49. Célia Santos

    Como você bem analisou, a frequencia de jovens da periferia nos shoppings não é nenhum fenômeno como alguns estão alardeando. Eles sempre frequentaram shopping, principalmente aos domingos, não apenas com roupas de marca compradas a duras penas, mas também com aquelas customizadas por eles mesmos. Sempre em grupos se reunem na praça da alimentação, sorridentes e se divertindo no ato de ver e ser visto. Se são discriminados por algum infeliz, pouco importa, isso não inibe, ao contrário, estimula. Não se trata da celebração do cinismo, mas sim de táticas articuladas ao cotidiano. Como observou Michel de Certeau, “é sempre bom lembrar que não se deve tomar as pessoas como idiotas. Assinala as pessoas comuns não como consumidoras passivas, mas dotadas de criatividade nas suas escolhas, pela liberdade com que interpretam suas leituras”. São essas apropriações do espaço espontâneas que nada tem em comum com aquelas disseminadas pela rede que juntam milhares de pessoas e que fatalmente levam ao vandalismo.
    Concluindo, a discriminação ainda que exista, é muito mais um constructo de nosso tempo que leva tudo para a questão de luta de classes. Com 50 anos de atraso.

    Responder
  50. Pingback: Anônimo

  51. Joao Luis Chagas

    Infelizmente (ou felizmente, por outro lado) cresci em meio à classe média tradicional e me acostumei a escutar – e até repetir – ofensas veladas e em tom de brincadeira sobre as partes da sociedade reprimidas pela condição financeira ou cor da pele. Seu texto, e alguns outros da web, abriram meus olhos para os pequenos preconceitos impregnados em minha cabeça. Infelizmente ficar livres deles é muito complicado, mas sigo na cruzada contra meus pensamentos antiquados.

    Excelente post Rosana! Parabéns pelo trabalho. Seguirei acompanhando o blog.

    Responder
  52. camilla

    Eu gostei do seu texto e não pude deixar de lembrar do episodio envolvendo a Burberry e a Lacoste gastando milhoes para desvincular a marca dos chavs e beurs na tentativa de voltarem a ser vistas como marcas tradicionalmente ricas/de luxo.

    Responder
  53. Edson Cunha

    “A classe media não se reconhece no Outro e sente um distúrbio profundo e perturbador por isso.”. Obrigado, Rosana, pelo poder de síntese! Fazer a classe média olhar para o próprio umbigo e abandonar o discurso fácil é complicadíssimo!

    Responder
    1. Fanuel

      Não tem nada a ver com classe média ou baixa, tem a ver é com o respeito ao direito alheio.Aposto que você não viu um rolezinho então pra te ajudar segue a baixo o resultado de uma busca rápida.

      http://www.youtube.com/watch?v=H-gf8RG7ja0(relato de vítima de furto)

      http://www.youtube.com/watch?v=dkDQI8M-CS4 (agressão a policial)

      http://www.youtube.com/watch?v=H4oRqmLGDd8(tumulto e restrição do direito de ir e vir)

      Isso aí é crime!Furto/restrição do direito de ir e vir perturbação da paz alheia. Ninguem liga se fazem festas funk na comunidade deles a questão é que tem de se respeitar o próximo(o que não se confirma nessa ‘prática’). Se eles querem viver em anarquia o problema é deles!!!

      Responder
      1. Isabel

        Eu acho engraçado as pessoas falarem em “comunidade deles”, “viver em anarquia” “problema deles”…são frases que por si só já os segregam, aliás não acho engraçado, me irritam, como me irrita essa classificação por classes…não sei exatamente que tipo de consciência os jovens dos rolezinhos têm, mas independente disso, a interpretação que a dita “classe média” dá aos fatos, é sempre preconceituosa, segregadora, distante (pois é “problema deles”)…..Deles quem?……..De brasileiros que estão no mesmo barco, sendo consumidos pelo consumismo, pela demonstração de status, pela inversão de valores e pela submissão ao poder corrupto!!!

  54. Pingback: Da raiva | Ani Dabar

  55. catarina

    Rosana, ótimo seu artigo e sua área de interesse, mas eu gostaria de registrar, que deu para ver quando os meninos corriam, que estavam de bermuda, sandálias havaianas e outros chinelos rider usados pelas classes populares.
    As imagens da polícia ocupando o morro onde foi instalada a primeira UPP, no Rio, mostram as mesmas roupas da maioria desses meninos, bermuda, camiseta e chinelo, sem marca alguma. pareça,

    Responder
  56. Guilherme

    A diferença mais gritante entre ricos e pobres é q, para os primeiros, o mais importante é ser; para os outros, ter.

    Responder
    1. Tatiana Benevides

      Acho que para os ricos o mais importante anda sendo ter e não dividir com ninguém, haja vista as reações da classe média.

      Responder
      1. Claudio

        Não concordo, haja visto que são as pessoas que pagam mais imposto, ou seja, colaboram mais com a coletividade. Vejo que os esquerdopatas não aceitam a riqueza alheia, preferem que todos dividam a miséria, como em todo bom país socialista que já existiu ou que ainda existe.

  57. Jorge L. Ferreireira

    Muito exagero e Demagogia em quem vê toda esta situação sentada em uma poltrona vendo Televisão e divagando para obter créditos de quem está na mesma posição (sentada na poltrona vendo tv)!!!
    QUE TAL TIRAR A BUNDA DO SOFÁ, E APARECER NO SHOPPING MARCADO PARA UM ROLEZINHO…..VC…SUA FAMÍLIA…SEUS AMIGOS!!! VOLTE E POSTE O QUE ACHOU….QUANDO PARAR DE TREMER!!!
    MARCAR “ROLEZINHO” COM M I L H A R E S DE JOVENS AO MESMO TEMPO PARA TIRAR UM BARATO?????
    VC TEM LOJA EM SHOPPING???
    TEM PASSEADO EM SHOPPING COM FAMÍLIA????
    POR FAVOR….QUANTA MERDA NUM TEXYTO SÓ….DIVAGANDO SEM O MÍNIMNO SENTIDO DA REALIDADE DESSE TAL “ROLE”….SE ACHE!!!

    Responder
    1. BortoluzziR

      Incrível como pessoas atingem esse nível de mentalidade, defendem a bandidagem, mas ao se tornarem vítimas, duvido que teriam esse discurso pomposo cheio de amor e carinho pelos coitadinhos que se reúnem em dezenas para “se sentirem parte da sociedade” . Quase chorei com o texto, por saber que pessoas assim são formadoras de opinião nesse nosso país culturalmente morto.

      Responder
  58. Isabel

    Em Belo Horizonte sempre foi mais tranquilo. Rolam “rolezinhos” em praticamente todos os shoppings da cidade. Acho que deve ter dado algum problema no começo, mas desde que eu moro aqui (há 7 anos), sempre os vejo acontecer e ninguém liga. Mas não vejo nenhum grupo com música alta e tal, mas na verdade nenhum grupo de jovens em espécie alguma faz esse tipo de coisa em shopping por aqui.

    Mas ler seu texto me deu uma tristeza muito profunda de saber que eles passam por um ritual para serem tratados como “gente”…. Esse mundo está todo errado.

    Responder
  59. Marcelo Pimenta

    Segregação social não é uma novidade. Existem pessoas trabalhando dia e noite para que essa realidade persevere, obtendo sucesso nessa empreitada em cada empreendimento. Dado isso, os eventos que deixam claro essa questão de segregação, seja ela de que tipo for, muda de nome, de lugar, de data, mas não muda na sua essência. Abordagens têm sido feitas, indiscriminadamente, sobre os diversos temas relacionados, observando temática e circunstâncias de cada recorrência, cada uma a seu tempo, cada evento com sua cara, para tratar do assunto de forma demasiado superficial , “sensacionalizar” tão somente, muitas vezes, tornando questões simples e isoladas em verdadeiras ondas numa reação em cadeia que muitas vezes foge do controle de todos. As notícias são veiculadas, com os floreios peculiares de comunicólogos perdidos do real e honrado objetivo de seu poderoso ofício, criando uma “quimera”, muitas vezes, e tornando, então, o barulho que ouvimos agora, e que repercute em relação aos “rolezinhos”, ensurdecedor. São questões absurdamente abordadas nos últimos tempos, mas o resultado de tanta deflagração e de tanto alarde, reflete o real, vazio e muitas vezes nefando objetivo desse modo perverso de veicular notícias, nas mudanças que NÃO vemos, muito embora as situações, como esta, sejam inconcebíveis. Sabemos por onde trilhar para tocar nessas questões a longuíssimo prazo apenas, e tenho esperanças pois acredito num futuro melhor, mas vejo, determinados pelos desfechos relacionados a situações desse tipo, tratadas como essa mesma aqui abordada, um final velho conhecido: depois de aproveitado o tema, quando não mais se pode conseguir audiência, e esgotamento de edições em jornais revistas e tantas outras mídias, quando o assunto perde o vigor, irá jazer como tantos outros, em tantas outras datas, tantas outras vezes no limbo do esquecimento, sem resolução, sem perspectiva e sem alento, vivendo a mesma, dita, realidade dos “protagonistas”.

    Responder
  60. Kerollainy

    Texto ótimo, obrigada!! Inconscientemente, sempre tive percepção do problema, mas nunca havia parado pra pensar de uma forma concreta, conectada com uma realidade mais ampla – e teu texto me proporcionou isso!

    Responder
  61. Alberto Filgueiras

    Rosana, eu sou pesquisador de psicologia cognitiva e social e atualmente faço meu PhD no Canadá. Gostaria de te parabenizar pela imparcialidade e pelo olhar do seu texto. Particularmente sempre vi na área da psicologia social brasileira um excesso (no sentido negativo) de posturas acadêmicas politizadas e teorias filosóficas sem base empírica. No entanto você parece lançar mão de alguns desses conceitos de modo crítico e perspicaz. Meus parabéns pelo texto e que possamos refletir sobre esses fenômenos com maior cuidado que simplesmente a defesa de uma classe ou a estigmatização de outra.

    Responder
  62. lorde sith

    Deixe o endereco pa bois marcá o proximo rolezinho na sua Casa petista otária, esquerdinha caviar.

    Responder
  63. Lumiartes Jean

    ao meu ver, qualquer sociedade constitui normas, e aprecio-as de maneira a ter meios de estar numa sociedade cada vez mais numerosa e que transborda mil vontades e desejos próprios que não cabem numa sociedade equilibrada e sim num CAOS. o PODER DE IR E VIR É DE TODOS, MAS NÃO DE QUALQUER MANEIRA. 300 JOVENS QUE SE DESLOCAM JUNTOS , CANTANDO E SEMEANDO O MEDO, NÃO DETÉM RAZÃO MAIOR DE OU CULTIVAR O MEDO OU DE VOLTAR ÁS MAIS REMOTOS INSTINTOS SOCIAIS, O DE VIVER EM TRIBOS… SHOPPING NAO É LUGAR DE GENTE RICA, EMBORA TENHA; NÃO É LUGAR DE GENTE MÉDIA, EMBORA TENHA; NÃO É LUGAR DE GENTE POBRE, EMBORA TENHA…… É LUGAR DE TODOS QUE QUEREM SE DISTRAIR, CONSUMIR, SE DESCONTRAIR OU ATÉ MESMO SONHAR… POIS NÃO PODEMOS COMPRAR TUDO O QUE VEMOS E DESEJAMOS….. EM FIM…. QUE ESTE LUGAR SEJA FREQUENTADO POR PESSOAS NÃO TRIBAIS…. INDEPENDENTES DE SUAS CLASSES SOCIAIS OU DO ARCO-IRIS EPIDÉRMICO. SEJAMOS SENSATOS! SOMENTE ISSO… NÃO É PEDIR MUITO ! VIVER EM SOCIEDADE TEM SEUS CÓDIGOS…

    Responder
  64. Adriane

    Olha…sinceramente concordo com vc, esse tipo de segregação é triste, e a ditadura das “marcas” é podre. Não podemos fechar os olhos para isso, porém, a pessoa ser pobre, rica, etc. não da direito a de forma alguma vandalizar nenhum tipo de local, apavorar pessoas, agredir e roubar.
    A ideia inicial é bacana, jovens se reunindo para se conhecer, conversar etc. porém, como já sabemos nem sempre é dessa forma que acontece.

    O que não se pode fazer, é usar o famoso “óculos cor de rosa” e enxergar que o que acontece com esses jovens é muito sério, e muito triste.
    Acreditar que ir até os shoppings e vandalizar é bacana, o que não é!

    Responder
  65. Ivan Lopes

    Excelente texto. Desde o começo me posicionei contra o rolezinho, e admito que esse texto foi a primeira coisa coerente que li que realmente me fez parar e analisar isso com outros olhos.

    O que eu queria apenas esclarecer aqui é que sejam entendidas também pessoas que pensam como eu, e que cada vez mais se mostram presentes. Nunca me posicionei contra o rolezinho por nenhuma razão explicitada no texto. Acho que independente de ser da periferia ou não, rico ou pobre, todos tem o direito de frequentar quaisquer que sejam os lugares. Também creio que as marcas devam se ater meramente ao pensamento capitalista de onde surgiram: querem ter lucro? Ótimo, então o meu dinheiro vale tanto quanto as moedas de alguém que pediu esmola o dia inteiro no semáforo. Nada disso é o problema do rolezinho.

    O que eu me posiciono contra é a forma de impor as suas regras por cima do direito alheio, através de número de pessoas. Eu sou uma pessoa que acredita que a mudança vem através de exemplos. Então se eu quero ser respeitado, a primeira coisa que devo fazer é respeitar, ser aquilo que eu espero que os outros sejam. A forma como foram feitos os rolezinhos eu vejo como uma família, que juntou todos os parentes, foi em uma festa de aniversário de outra família, e impôs as suas próprias regras.

    O caminho da tolerância e respeito é extremamente difícil de ser trilhado, não por causa da resistência daqueles que eu quero transformar, mas por causa daqueles que querem a mesma coisa que eu, através de meios diferentes. Como já dizia John Lennon:

    “You may say that I’m a dreamer
    But I’m not the only one
    I hope some day you’ll join us
    And the world will live as one”

    Responder
  66. Tatiana Benevides

    Excelente análise. Me lembrou o relato do texto Humilhação Social: humilhação política, do José Moura Gonçalves Filho. Uma trabalhadora, após ouvir o comentário de uma senhora que achava que ela era um absurdo ela ter conseguido uma casa com jardim de flores num bairro de classe média, comenta com o pesquisador, o dedo em riste: O senhor sabe, né? Pobre também pode gostar. Naquela época, o direito a ser humano e poder apreciar o belo, não só comer, podia acontecer cultivando jardins. É lamentável como o avanço neoliberal reduziu ideologicamente nossa humanidade ao consumo. A confusão entre consumo e direitos está na base da dificuldade de reivindicar de nossa época, mascarando ainda mais essa imensa violência social e concreta.

    Responder
  67. Eduardo Martinez

    Nunca fez tanto sentido a letra (agora) profética do Tunai, imortalizada pela (ou na?) voz de Elis.

    “As aparências enganam,
    aos que odeiam e aos que amam
    Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
    Os corações pegam fogo
    e depois não há nada que os apague
    Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
    O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação

    As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
    Poque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
    Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
    Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
    Não há mais forma de se aquecer,
    não há mais tempo de se esquentar
    Não há mais nada pra se fazer,
    senão chorar sob o cobertor

    As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
    Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
    Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
    Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
    Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
    No insistente perfume de alguma coisa chamada amor”

    Responder
  68. Ana Beatriz Braga

    concordo que exista um problema social muito grande. Mas acho que faria muito bem a todos (pobres, ricos, classe média) entender que essa obsessão por marcas é doentia e prejudica a todos, embora de maneiras diferentes. O rico, não é prejudicado em termos financeiros, já que não precisa se endividar para adquirir os itens que conferem status, mas ainda assim existe um custo para eles, um custo de tempo e de energia que poderiam ser dedicados a coisas melhores. Em relação aos pobres e até mesmo à classe média (em proporções diferentes, é claro), além de investirem tempo e energia demais em futilidades, eles gastam um dinheiro que não têm. Lembro de uma moça que trabalhou aqui em casa, cuidadora do meu pai (Cristiane, o nome dela) que teve Alzheimer. Um dia, ao final do expediente, ela pediu minha maquiagem emprestada pois ia sair com o namorado e tinha esquecido a dela. Eu não tenho muita frescura: “pega aí o que quiser”. Lembro até hoje da cara dela :O ao ver que minha nécessaire era composta 90% de itens da Avon. Ela muito chocada: “você compra Avon? Por que???” Eu: “É igual às outras, só que mais barata”. Isso gerou uma enorme conversa sobre nossa vidas que durou semanas, acredite se quiser. Ela acabou me dizendo que foi libertador ver que eu não ligava para marcas. Ela que sempre fez prestações para comprar Lancôme e similares. Mas não tinha plano de saúde… Não tinha um tostão em poupança… Resumindo: a sociedade tem que fazer muitas mudanças, mas não só as classes mais abastadas. TODOS sem exceção precisam mudar de atitude.

    Responder
  69. Pingback: Apriolli |

  70. BortoluzziR

    Acredito que deveriam por a melhor roupa para procurar um emprego, e se apegarem aos estudos e aos bons costumes, cultivando a liberdade que tanto exigem. Esse fato logicamente é causa da mentalidade marxista implantada na sociedade há décadas. O fato mais interessante são as patricinhas que defendem e aprovam essas atitudes, mas quando são vítimas a coisa muda de figura.

    Responder
  71. Aline Baroni

    Gostei muito do texto. Mas quando li esse trecho “Meu lado pessimista, tende a concordar com Ferguson de que há menos subversão política e mais um apelo desesperador para pertencer à ordem global” fiquei pensando: não seria subversivo, para essas pessoas excluídas, esse esforço de pertencimento – ainda que pertencimento à ordem? É uma não-acomodação, é uma luta pelo que lhes é negado, é um pertencimento sempre reprimido, ainda que a conotação política do “rolezinho” seja involuntária. O consumo de marca, para eles, me parece algo extremamente subversivo: ninguém quer sua marca associada ao “negão favelado”, o “negão favelado” sabe da rejeição que sofre, mas insiste em dizer “sim, essa marca estará nas roupas que eu visto, quer vocês gostem ou não”.

    Responder
  72. Gabriel Valente

    Problema é quando “rolezinho” descamba para algo como isso aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wclVJ4GHkao

    Acho que um dono de shopping center tem o total direito de barrar uma entrada em massa assim de centenas de pessoas de uma vez em um local fechado. É claro que vai causar tumulto. É claro que mesmo que 90% sejam pessoas de bem, esses 10% vão criar cenas como essa.

    Acho que se a pessoa quer ser vista como pessoa e sem preconceito, o caminho não é esse.

    Responder
    1. Alemão

      Bati palmas para sua foto vasconcelloscynthia…perfeito!
      O cara disse TUDO de uma forma simples,objetiva e particular.

      Responder
  73. The Ape Warrior

    Sou um jovem universitário de classe média quase baixa. Já morei na periferia e sofri muito aperto. A minha opinião antes é a minha opinião agora. Não duvido de nada da existência dessa segregação social envolvendo roupas de grife e shoppings, isso na verdade me irrita, e muito. Porém … um movimento de manifestação que não possui voz e não possui direção, mas possui ameaças à cidadãos e vandalismo (assaltos, quebradeira DESNECESSÁRIA e porrada), pra mim, não é uma manifestação, é apenas um movimento sem rumo. Fugindo de todo esse preconceito racial e social, e olhando apenas com a visão de um terceiro indivíduo, como um alienígena olharia para os humanos em geral eu diria: Esse movimento não possui a maior legitimidade, por que busca atingir à tudo e à todos, desde a elite (que agora é culpada de ter dinheiro, mesmo que alguns tenham suado a vida toda pra isso) até os sujeitos que trabalham no shopping e compartilham da mesma situação financeira (como os seguranças e funcionários da loja). No há um manifesto, não há um objetivo. E não me digam que isso é ato de minoria, por que não é. A maioria dos jovens que estão participando deste movimento, vão pra ficar com outros jovens (no sentido de pegação mesmo), invadem as lojas e ameaçam sobretudo os funcionários. Então é o seguinte, a ideia que os moralistas tentam tirar do movimento é legítima, mas o movimento como está agora, cospe em qualquer ideologia. Ou seja, como está agora, não vai funcionar. Um carro desgovernado tende a sair da estrada.

    Responder
  74. Gustavo Kanashiro

    Ao ler este texto, me deparo com outra opinião de um morador da favela, o qual trabalhava na mesma empresa como office boy, ele me contou algo que eu não tinha percebido, os amigos dele da favela eram os que mais queriam ser playboy, só queriam usar roupa de marca, ter carros tunados. Logo o problema é cultural, da nossa cultura capitalista, da falta de educação, não importa a classe, porque hoje tem garotos da classe média querendo parecer favelados, rappers, isso é a formação do carater tipico da adolescência em que o individuo quer ser notado, não me venha falar de divisão de classes, isso acontece em todas as classes, assim como esses muleques de classe média são discriminados nos shows de rap como playboys. Agora uma massa entrando em um shopping não é pra ser assustador ? Creio que seu conceito esteja equivocado, deveria fazer o “rolêzinho” dentro da câmara de vereadores reivindicando uma educação de qualidade, mais espaços para lazer na cidade, não ir a um shopping, vislumbrando o capitalismo. Vai fazer o “rolêzinho” no teatro, nos cursos gratuitos do SESC, algo que realmente acrescente e não querendo ostentar roupas e lugares da high society.

    Responder
  75. Álisson Coelho

    Em primeiro lugar, ótimo texto. Claro, fácil de se entender.
    Sobre o rolezinhos, me parece que as avaliações são sempre apressadas. Quem condena tem pressa em reprimir, quem defende tem pressa em se colocar. Não se pensa muito sobre, e isso me incomoda muito.
    Vivo em uma cidade chamada Novo Hamburgo (RS), elitista até o ossos. Quando criança, meus amigos e eu, moradores de um bairro pobre, fazíamos de uma ida ao shopping no sábado o nosso passeio semanal. Era a única opção de lazer disponível. Isso não se chamava rolezinho, mas era a mesma coisa. Algumas pessoas até poderiam olhar torto, o lojista não gostava porque, sinceramente, nunca comprávamos nada, mas ninguém nunca barrou. E a convivência sempre foi mais ou menos civilizada.
    Me parece que o medo das pessoas, hoje, é da massa. Como alguém já disse nos comentários, as pessoas têm medo de ver mais de mil pessoas andando em massa, independentemente se são jovens da periferia, ou estudantes de universidades em protesto contra o aumento das passagens de ônibus.
    Sei que é um olhar simplista, mas é um olhar. O brasileiro médio tem medo de manifestações (no sentido mais simples da palavra) em massa. Até porque, sempre tem gente se utilizando da massa para os seus próprios objetivos, sejam eles quais forem.

    Além de tudo isso, esses fenômenos mudam tão rapidamente, que a análise apressada de hoje é o furo de amanhã. Por fim, concordo demais com a análise do aspecto ideológico que o uso das marcas traz consigo. Perfeito. É a mais pura dependência.

    Responder
  76. Mario

    Quer dizer que posso organizar um arrastão num shopping com o escudo de “Movimento social contra repressão” pra praticar furtos e delitos dentro de um Shopping?

    Estava no Itaquera qnd aconteceu esse tal de “rolezinho”, com esposa e filho de braço, e tive praticamente que lutar pra não ser roubado.

    Pq o texto tb não destaca esse ponto?Pq não destaca tb que a proibição veio exatamente por conta desses incidentes de roubos em loja e de clientes?

    Olha ai o resultado do rolezinho de Itaquera que vcs andam fechando os olhos pra ver:

    http://i.imgur.com/WsksyYU.jpg
    http://i.imgur.com/LqbedTb.png
    http://i.imgur.com/Xw6qJbr.jpg

    Responder
  77. Julio

    Realmente um bom texto, principalmente quando classifica esses rolês não como revolucionários, mas sim como conservadores da ordem dominadora.
    Veja só, eu com 600 contos sobrando na minha mão e precisando de um tênis, compro um de 100 reais de qualquer marca e com os 500 milhões restantes passo um fim de semana na praia, ou compro muitos e muitos itens como livros, cds e afins, ou até mesmo banco uma festinha para os camaradas mais chegados e torro tudo, mas jamais pensaria em comprar um único tênis com toda a grana.
    O desafio é reverter uma mentalidade já imbecilizada para proveito dos grandes.

    Responder
  78. Victor

    “Quatro patas bom, duas patas ruim”… nem tudo se trata de uma questão social, mas tudo pode ser transformado em uma questão social… os rolezinhos são ruins não por que abrem as portas de um mercado capitalista de um santuário da ostentação ao consumo desenfreado ou qualquer outra destas baboseiras… os rolezinhos juntam um grupo de jovens absurdamente gigantesco que causaria o mesmo problema se resolvesse fazer um “rolezinho” no Parque do Povo… ou no parque da água Branca, ou em qualquer outro que não tenha estrutura para comportar essa quantidade tremenda de pessoas desordeiras no mesmo lugar… façamos um experimento.. um “Rolezinho da playboyzada”… junte 3 ou 4 mil jovens das melhores escolas de São paulo e soltem todos juntos de maneira desordeira em qualquer um destes shoppings… (e te garanto eles não se comportarão melhor do que os meninos e meninas tratadas em questão). O Rolezinho nos mostra que os pais abriram mão da educação dos filhos… que os jovens não respeitam regras, nem hierarquias… e não uma ânsia de uma população em participar de um mundo que não lhes pertence… junte esses dois grupos em uma biblioteca… teremos o mesmo tipo de problema… provavelmente alguns livros rasgados, lixo pelo chão.. etc… Tanto faz, qual o berço ou o nivel de educação… quando juntos, se tornam uma turba… e não um bando de pobres coitados…

    Responder
  79. Laura

    Seu texto é muito bom, Rosana, aliás, li seu livro que também é uma delícia de ler. Mas este texto em questão é bem complexo e como é o assunto do momento as pessoas estão tomadas por milhares de sentimentos e não conseguem refletir friamente. Não leve a sério os insultos!

    Responder
  80. Lucas

    Esse país tá cada vez mais fudido, protesto saiu das ruas e agora foi pro shopping. Foda-se se tão te roubando todo dia no congresso, se a passagem de bus subiu, se tu paga 50% de imposto pra comprar qualquer merda, se o transito nas ruas tá um caos por falta de investimentos, se tem gente morrendo na fila do SUS ou as escolas públicas tão caindo aos pedaços e não ensinam porra nenhuma pra ninguém.
    O lance mesmo é poder ir pro shopping e ter o direito de usar roupa de marca pra se sentir gente.

    Responder
  81. Ricardo

    que atire a primeira pedra quem nunca foi ao shopping dar um rolé e saiu sem comprar nada… vários comentários reacionários do tipo faça rolezinho no teu jardim, na tua piscina, na tua quadra de tênis hehe. Shopping é lazer e deveria ser “tão democrático” quanto as praias.

    problema é que, juridicamente, shopping não é um espaço público embora o lazer seja um direito constituional. o tumulto, arrastão e repressão é o grito da violência que existe em todos nós. aliás, no Brasil é muito comum lazer e violência se cruzarem, especialmente nas camadas mais vulneráveis que são sistematicamente reprimidas pela polícia estejam onde estiverem.

    Um lance que me chamou atenção mas quase não gerou repercussão foram algumas manifestações em supermercados no mês passado. tipo essa:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/12/23/interna_gerais,482173/termina-em-acordo-manifestacao-por-cestas-basicas-em-hipermercado-da-regiao-leste-de-bh.shtml

    Po, sem querer ser advogado do diabo, será que essas famílias que conseguiram se mobilizar ao ponto de realizar uma ocupação não conseguem receber o benefício do bolsa família?

    Não sei, mas me parece que ao primeiro sinal de desestabilidade do governo federal, terá um batalhão de pessoas dispostas a saquearem estabelecimentos como acontece na Argentina (de acordo com a conveniência dos opositores ao governo K).

    Responder
  82. Leonardo

    Concordo com muitos pontos do texto lido. Existe ainda a grande descriminação contra as classes menos abastadas pelas elites, que muitas vezes só conseguem enxergar as pessoas de baixa renda como ladrões, criminosos e pessoas do mal. Porem os shoppings não só de São Paulo, não só do Brasil mais do mundo inteiro tem como objetivo criar um ambiente de consumo com tranquilidade e facilidade, onde os seus usuários possam desfrutar de diversas lojas, cinema e praça de alimentação no mesmo local. Os shoppings não são ambiente para aglomeração de pessoas independente de classe social. O principal objetivo dos “rolezinhos”, não é ir ao shopping com os amigos para aproveitar um dia de férias, olhar vitrines, fazer compras e ir ao cinema. São eventos com centenas e até milhares de jovens que buscam um espaço para se divertir, se encontrar, e fazer coisas que jovens gostam e tem o direito de fazer. Os shoppings são ambientes de consumo que buscam maximizar o lucro, independente se o consumidor for pobre, rico, morador dos Jardins ou das favelas. O ponto é que o local onde esses jovens querem se divertir não é apropriado para tal tipo de evento. Se um grupo de 5 amigos por exemplo for a qualquer shopping da capital, independente de raça, e classe social vai poder andar pelo shopping e utilizar de todos os recursos que ele oferece sem nem um problema. Eu sou morador da capital e costumo frequentar shoppings, e é normal ver jovens e adultos de diversas classes sociais passearem no mesmo ambiente sem que ocorra descriminação por nem uma das partes. No shopping Iguatemi por exemplo, é proibido grupos de mais de 10 pessoas andarem juntos e fazerem barulho, independente de situação financeira e do bairro aonde moram. O espaço não foi feito para festas de jovens e sim para ser um local de tranquilidade. O ponto é que, sim ainda existe a descriminação social, porem no caso dos “rolezinhos” a questão que deveria estar sendo discutida é o ambiente aonde os jovens querem ir para se divertir e não o preconceito que as classes altas e elitizadas da sociedade tem contra as classes carentes. A mídia conseguiu desviar a atenção de um problema que existe no país que é a péssima utilização dos impostos para uma luta de classes. Errados não são as empresas administradoras dos shoppings que proíbem a realização dos eventos, e sim os governantes que ao invés de utilizar o dinheiro dos impostos para criar espaços seguros para os jovens de divertir, o utilizam para passar férias na Europa com a família. A mídia tem um grande poder de mudar o contexto da situação e é muito claro que isto vem sendo feito no que diz respeito a este assunto.

    Responder
  83. Paulo Faber

    Olá Rosana, obrigado pelo texto, ajuda-nos a pensar este fenômeno que a mídia e a direção do próprios shoppings trazem à tona agora [porque será?], mas como você mesmo cita não é de hoje. Estou fazendo uma dissertação sobre intervenções urbanas e gostaria que compartilha-se o link para o algum texto seu que fale do tal “bonde das marcas” ou outro que apareça estes rolezinhos de outrora.

    Responder
  84. Alexandre Rabello

    Eu detesto rolezinho. Mas calma, antes que você, professor universitário, que ganha 5-10-20+ salários mínimos pra falar/escrever coisas que não produzem nenhum resultado positivo real (não mata a fome, não cria tecnologia que gere dinheiro pra matar a fome, só justifica mesmo seu cargo inútil…), comece a protestar, deixe-me tecer uma breve explicação. Qual a importância de ser visto? Qual a importância de ostentar? Qual a importância de usar marca? Nenhuma, o vendedor da Nike não lava sua cueca. O vendedor que sabe que você é pobre, e te atende mal, não vai ganhar comissão. Ruim para ele! Eu só saio mal vestido para fazer minhas compras – eu nem teria outra opção. Sempre existe alguém querendo suficientemente uma comissão, que vai lhe atender bem, mesmo estando de chinelo e barbudo. E eu só pago em dinheiro, ou no débito, e só levo se ganhar desconto pagando a vista. Ao invés de estimular essas “apropriações” que tem tanto efeito quando fazer cocô de manhã (não mudam sua vida, aliás, cagar dá até um certo alívio momentâneo), deveriam incentivar justamente o contrário. Pouco importa que um zé das couves ou toda sociedade te ache um bosta – experiência própria também – eles não podem influir de forma alguma na sua felicidade. A sociedade, as companhias de marketing e os seus amigos não podem nunca ditar o que te faz feliz. Se alguém não gosta da sua cor, vão ter cinco que vão gostar, se alguém não gosta da sua classe social, vão ter cinco que vão te respeitar independentemente dela. Pensamento retrógrado da autora, estimula uma visão de mundo, que assim como uma agência publicitária, vai gerar muito desejo pelo rolezinho. O rolezinho virou um produto, tipo uma camisa da adidas..

    Responder
  85. Juliana Carvalho

    O problema da sua opinião é que é rasa e vista apenas de um ponto de vista, o da discriminação. Onde fica a violência?

    Sua opinião se prende muito a marcas, shopping e consumo, mas a questão é antes de tudo de violência. Porque se não causasse tumulto e não tivesse histórico de roubo, não haveria porque uma liminar evitar que os grupos entrem no shopping. Mas não é o que se tem visto nos shoppings em que o fato já ocorreu. Vimos tumulto, violência, arrombamentos e furtos.

    Eu me precaveria se fosse minha casa, minha loja ou qualquer ambiente privado cujo custo de manutenção e segurança fique por meu bolso. Da mesma forma que o “discriminado” quer seus direitos, cade o meu de proteção e de não ser roubada?

    o grande assunto do texto deveria ser a limitação entre o direito de um e o direito do outro, não colocar uma liminar como atestado discriminatório. Até porque na liminar não há discriminado que o tipo a ser barrado é “aparência de pobre”, até mesmo pq invalida todo o conceito, tem gente que tem pouco dinheiro e gasta o pouco que tem para ostentar realidades que não são as suas.

    Responder
  86. Malu

    Rosana, imagino como ficas ao ler comentários tão escrotos, onde a pessoa vem aqui, dedica seu tempo a ler e acaba escrevendo um comentário pra te xingar. E pior, que outras tantas fazem o mesmo pra ficar ofendendo uma à outra!! Parece que ninguém entendeu leu o que vc escreveu, dedicando seu tempo e estudo pra um fato que é sério e e grita pedindo a atenção, mas que sempre existiram. É o que penso. Em forma, tempo e moldes diferentes. O que falta e sempre faltará, são pessoas que não se sintam fora de classe social. Governos e pais que tenham interesse em EDUCAR cidadãos e filhos seguros, libertos, informados de que o te faz GENTE não é a marca, a bandeira ou o rótulo. Mas daí, “são outros quinhentos”!
    Concordo com vc que este é um assunto bem complexo e extenso. Que um texto só não é o suficiente pra esclarecer atitudes humanas. Fica com minha admiração!!
    abraço

    Responder
  87. Alexsandro

    Na longínqua década de 90, era bem comum essas junções em Shoppings… Era bem comum os grupos de diversas escolas se encontrarem aos sábados de manhã depois das aulas…
    Claro, isso acontecia em cidades do interior…. Mas é claro que a informação andava a passos de tartarugas… Hoje qualquer faísca se transforma em fogueiras de proporções gigantescas…
    Livre Arbítrio & Juízo…. É o que esperamos para essa gurizada….

    Responder
  88. Pingback: FêAznar

  89. Gustavo Tenorio Cunha

    Excelente texto. Vou utiliza-lo em aula. Parabéns pelo trabalho. Compartilho um pouco mais do seu otimismo do que do seu pessimismo, porque é um movimento coletivo e que tem produzido inúmeros efeitos políticos em todas as direções. Acaba explicitando relações e afetos presentes mas pouco claros para uma parte da sociedade (aliás, muitos comentários aqui são de matar. Impressionante como tem pessoas que têm motivos para ter medo realmente).
    Abraço
    Gustavo

    Responder
  90. Tati Pereira Análio

    Achei seu texto incrível Rosana!

    Não sou antropóloga mas confesso que algo não me cheirava bem nas críticas rasas que li sobre o “rolezinho”, em sua maioria condenado os jovens de maneira categórica.
    Nada como ler um texto bem escrito, de quem sabe do que fala e ver escrito aquilo que eu queria dizer mas não conseguia… rsrs

    Já estou te seguindo no Facebook, mulher bonita e inteligente a gente tem que seguir! =D
    Grande abraço.

    Responder
  91. Victor

    Questões sociais são sempre difíceis de serem analisadas porque envolvem a interação de muitas variáveis. Neste caso, sem discordar do muito que já foi dito, acho que também há um efeito idade e um efeito organização. É difícil que um grupo grande e desorganizado de jovens não apronte alguma merda. Isto não necessariamente depende de classe ou desigualdade entre classes. Um amigo me contou que um grupo de cerca de 150 turistas de um navio foram levados para uma loja, na Ilha da Madeira, onde menos de dez atendentes estavam a esperá-los. O resultado é inenarrável. Portanto, os shoppings, na minha opinião, deveriam contratar bem mais recreadores ou algo parecido e muito menos polícia.

    Responder
  92. Wilson

    Mto bom! Sensacional o texto e o blog. Com um texto lido já sei que serei seu consumidor de seus escritos.
    Concordo com o fato de ser um retrato da violência e segregação, mas não gosto desta forma de fuga/inclusão através do consumo fútil desenfreado e da ostentação (que aparece hj inclusive no funk).
    Penso que isso é resultado não da atuação da “esquerda” no poder ou da eterna questão norte/sul ou desenvolvido/sub ou emergente, mas sim da falta de educação financeira lógica da qual todos nós somos dotados, mas insistimos em não utilizar.
    Os chineses, por exemplo, emergentes como nós, com segregação de classes e diversos problemas como os nossos, planejam, poupam (até demais) e investem em infraestrutura/educação e nós consumimos sem critério, a qualquer preço, colocamos a culpa no governo, pensamos que somos o país do futuro, mas não passamos da eterna miséria garantida ano a ano.
    Do mesmo jeito que estes jovens pagam qualquer preço por uma roupa simplesmente para serem vistos, todos achamos que o Brasil vai bombar, pagamos mto mais que um novaiorquino para morar, somos loucos e esperamos meses pra comprar carros pelo triplo do que valem e achamos que isso é normal.
    Fazemos mil concessões a países e defendemos “democracias” malucas pra ver se conseguimos entrar no conselho de segurança da ONU. Igualzinho à idolatria da calça da adidas.
    Basta sermos racionais em termos financeiros, e isso não é privilégio das classes alta ou média, e seremos um país “tropical escandinavo”.

    Responder
  93. Giovani

    Concordo com a análise, mas acho que não entendi a parte do otimismo. Se é o rolezinho um efeito colateral da própria organização estrutural (acho que é), porque ele seria positivo se refrata um dado negativo (consumismo exacerbado, controle ideológico etc) da equação? Pelo ato político que representa talvez seja a resposta. Mas parece ser um ato inconsciente, totalmente submerso em um ideal empurrado goela abaixo, sem reflexão. Ou há alguma reflexão política no ato pra além de “ser visto”?

    Belo texto.
    Abraço!

    Responder
  94. Paulo Cezar Paz

    Eu não gosto de shopping e nem sei o que é rolezinho, mas, sei o que é ser pobre, andar de chinelos havaiana e camiseta de candidato vereador. Acho horrível. Não quero me levantar todos os dias pra trabalhar! Eu também quero ser classe média!

    Responder
  95. jefferson

    eu não critico o rolezinho,minha indignação é com o ato que eles promovem de violência e de falta de educação,sem conta o uso de drogas pelos jovens que muitos deles são menores de idade. e depois os shoppings se vem obrigados a tomarem uma atitude pra proteger a integridade de seus clientes, e a policia por sua vez ja chega sendo recebida por pedradas paus que são arremessados contra eles que são obrigados a coibir com violência e depois os jovens se fazem de vitima das circunstancias.

    Responder
  96. Pano de cozinha

    puts… nao to muito ligado nesse fenomeno dos rolezinhos e nao queira saber oq eu acho de funk, cortaria a sua “alma” minha honestidade. Eu achei que o texto foi escrito apressadamente, ta cheio de conceitos antropologicos sem explicacao, sem referencia e foi postado no facebook né… Tirando isso, eu acho que o ponto dela é bastante simples e facil de compreender, podia ser escrito com uma linguagem muito menos academica, porém nao sei se o efeito que ela procura criar seria o mesmo. E isso me preocupa. os exemplos que ela da de sua pesquisa, como oq o vendedor da nike falou e o que a rapaziada do rolezinho falou pra ela, nos demonstra uma realidade muito profunda que elucida. Porem, quando ela vem com conceitos como a parte que ela fala do “ordinario” e essa parte aqui principalmente: ” tema é complexo não apenas porque desvela a segregação de classe brasileira, mas porque descortina a tensão da desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre o Norte e o Sul. E enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica. ” putsss, onde comecar com essa? oq é eterno? talvez a sepultura. talvez o sol… hahah, falo essas brisas pq eu acho que é uma brisa isso ai, nao me remete aos exemplos que ela deu nas entrevistas, é teoria antropologica que ela usa sem muita explicacao e pra servir o ponto dela. sou mil vezes o antropologo que faz oq essa ai zoa, que fala que é apropriacao mesmo, e q fala, “que lindo essas pessoas se apropriam das marcas e dão novos significados e agência e bla blá blá prá boi dormir”… pelo menos ai o escritor nao fica puxando pra conversa “simbolos globais venerados pelos mais fracos”.

    Tambem nunca vi uma antropologa citar asneira de aluna das “camadas mais altas” desse jeito em um texto.

    Responder
  97. Tata

    Rosana, ainda que a maioria não concorde com seu ponto de vista (sim, porque alguém tem propriedade para dizer qual é o pensamento certo ou errado?), me fez refletir sobre um problema imensamente maior e anterior ao “desconforto dos tranquilos consumidores da classe média”.

    Responder
  98. felipefpsi

    Li o texto e ainda sim não vejo motivos algum em defender esse tipo de “movimento” a justificativa do local, usado pelos primeiros organizadores era de que o shopping é um dos locais mais seguros ????, sim, mas até o shopping é um local onde uma massa muito grande de pessoas ja passa a deixa-lo menos seguro, uma coisa é ir la comprar algo, comer algo, ou ver um filme, outra coisa é ir apenas zuar, entrar la dentro gritando, cantando e com mais de mil pessoas.

    Outro ponto que a autora ai em questão não viu é que no rolezinho, o que mais tem é playboy, até por que os atuais vem sendo marcado por eles.

    Duvido que a própria autora ai em questão, não fique com medo ao ver um aba reta vindo cheio de ginga em sua direção, alias muitos dos que estão postando aqui defendendo o tal “movimento” deve sentir o mesmo, e eu chamo isso de falso moralismo, fala mal daquilo que faz também, e só faz isso para se aparecer.

    tem um comentário ali em cima comprando isso com as fotos postadas por quem viaja, quem viaja não esta infringindo o direito de ir e vir de ninguém, não esta importunando ninguém, não esta passando por cima do direito alheio, agora veja que bonito você com sua família no shopping (tire a variável de que todo mundo que vai la é rico por que não é), um cara que trabalhou a semana toda, ta la na praça de alimentação para um momento de descontração, quando mais de repente entra mais de duas mil pessoas dentro do shopping, atravancando as entradas e saídas, atravancando os corredores e entradas das lojas, você ficaria feliz com essa situação? acho que ninguém fora disso ficaria, sendo ele rico ou o cara que trabalhou a semana toda e que mora na favela, mas estava ali querendo um momento de sossego, fazendo apenas um passeio de boa.

    Responder
  99. Márcio Souza

    Isso é muito difícil de ser tratado!
    Cada pessoa age como quer e da forma que quer!
    Não existe uma educação sensível em todos a ponto de tocar-lhes o coração a saber da percepção do certo e do errado, nem de um lado e nem do outro!
    Infelizmente a solução não é imediata como gostaríamos que fosse e sabemos que para isso precisa-se de vontade de mudar, tanto de um lado, como do outro!
    Um lado são os poderes públicos que nos representam e auxiliam e o outro é a maioria da sociedade!
    Mas creio que uma é consequência da outra, mas mesmo assim ainda penso que o que falta é vontade de mudar!!!

    Responder
  100. Renato Reis

    Achei um texto tipico da mentalidade esquerdista …. enquanto ela escrevia esse texto deveria estar degustando um bom viinho com queijo dentro de seu condominio fechado e odiando a classe media por tudo isso….

    Responder
  101. Engel Rêgo Martins Rocha

    Creio que posso falar um pouco sobre esse assunto, pois já participei desse tipo de movimento, conforme descrição dada pela Profa. Rosana Pinheiro.
    Na minha pre-adolescência, aqui na cidade de Fortaleza, não existiam muitos shoppings, tinha o Center Um, que foi o primeiro, e o Iguatemi. Eu morava em um bairro tido como periferia, que era a Praia do Futuro, próximo a um morro, chamado Favela da Lagoa do Coração, e por isso tinha amizade com muitos moradores de lá.
    Nessa época minha família não tinha muitas condições, não tinha como comprar roupas de marca com frequência, mas vez ou outra minha mãe comprava. Lembro até de um All Star vermelho que ganhei de presente de natal, se eu soltasse, ele ia sozinho pro Iguatemi. E muitos dos amigos só conseguiam ter algo de marca se furtassem, roubassem ou se comprassem de quem roubou ou furtou.
    Quando era domingo no fim da tarde, todos combinávamos de nos encontrar na praça de alimentação do Iguatemi. Era entorno de 20 moleques, que se reuniam e saiam passeando pelos corredores do shopping, que naquele tempo, era muito pequeno e, por isso, qualquer movimento dessa quantidade de pessoas ocasionava um tumulto.
    Não existia maldade nesses atos, mas lembro que incomodava muito as pessoas que estavam lá pra passear com a família ou fazer compras. Porém, analisando hoje, como estudante de direito, não posso me esquivar de uma autocrítica, pois sei que qualquer ato que venha a perturbar a ordem pública, deve ser acompanhado por autoridades no intuito de evitar que crimes sejam cometidos nestas ocasiões.
    Não quero levar a discussão para o lado do preconceito, mas quero dar um viés de legalidade, tendo em vista que nós abrimos mão do direito de boa parte de nossa liberdade, para que o Estado possa criar regras para manutenção do bem público e privado. E dentro dessa perspectiva, analisemos o Rolezinho atual.
    Sabe-se que estas manifestações estão tornando-se cada vez mais violentas. Jovens aproveitam o tumulto para praticar pequenos delitos, além de trazer prejuízos para os comerciantes que veem sua clientela afastar-se pelo medo, e puxando um pouco mais, o temor de esses movimentos poderem ocasionar acidentes como pisoteamentos, empurrões e machucados em qualquer pessoa que possa estar passando, independente de classe social, cor da pele ou crença religiosa.
    Portanto, posiciono-me contra os chamado Rolezinhos de hoje.

    Responder
  102. Pingback: Dimensões de um rolé | Para Ler Sem Olhar

  103. Carla Patrícia

    É um fenômeno que precisa ser analisado com muito cuidado. Essa visão apresentada olhou pelo lado positivo dos rolezinhos e eu concordo com a maioria da análise apresentada. Os negativos e só posso citar aqui em Belo Horizonte, pq estou aqui, foram 2 arrastões num shopping da região metropolitana, e 1 arrastão em BH mesmo(região norte), além disso, no Minas Shopping e Shopping Del rey, foram apreendidas armas de fogo e facas,os adolescentes estavam exigindo comprar cerveja, jogando um monte de coisa no chão, cadeiras inclusive e isso eu vi…É claro que isso assusta, há quem se aproveite dos encontros para praticar crimes e/ou pra fazer zona infelizmente. Como lidar com o direito de consumidor que todos sem distinção possuem e com essa questão da segurança preservada é realmente complexo.

    Responder
  104. Pingback: Etnografia do Rolezinho ‹ Jornalismo B

  105. Patrícia

    Olá,
    O texto é interessante quando contextualiza a necessidade dos jovens de inserirem-se no sistema, infelizmente essa é uma realidade com a tamanha desigualdade social, cultural de nosso país. Entretanto, estar dentro do padrão estipulado, que é o que eles desejam, não basta apresentar roupas de marcas, deve-se também adotar um padrão de comportamento e o principal deles é respeito ao próximo, isso cabe a qualquer lugar e não é preciso um centavo pra se adquirir. Ir ao shopping em bandos, causando vandalismo, com mal comportamento, não representa nem um pouco esta classe que apenas quer igualdade, mostra apenas que são mal educados e desconhecem a palavra respeito. Todos os jovens em qualquer classe social quer ser notado, quer fazer parte de um grupo que admire e busca meios para que isso aconteça, seja usando os ditames da moda, seja adotando uma filosofia de vida, ou carregando em si a marca que caracterize o grupo desejado, isso é normal, isso é até positivo, o jovem está experimentando, buscando referências e formando suas opiniões. Eu sou a favor de qualquer forma de manifestação/ expressão desde que haja uma causa real e código de conduta e ética, mas o que tenho visto acontecer está fora de todo esse contexto, são apenas jovens sem rumo, desejando causar arruaças, chocar pessoas, e com isso o máximo que vão conseguir é serem ainda mais marginalizados. Estes jovens deveriam aproveitar o contexto político atual,formar grupos de debates e manifestar nas ruas, lutar contra o sistema, conhecer os “mandantes” do governo e começar a mudar esse contexto nas urnas.

    Responder
  106. Pingback: Dimensões de um rolé | Amálgama

  107. Isabel

    Na verdade, eu acho que estes meninos estão propagando os rolezinhos que existem há algum tempo nas periferias, (mas em proporção menor, pois não havia rede social e nem acesso a ela), mas diferente do que pensa a esquerda ou a direita, acho que eles apenas estão fazendo o que os jovens fazem: transgridem. Todos nós já transgredimos nessa fase tão linda e ao mesmo tempo tão difícil…acho que a reação da sociedade desumaniza estes jovens (pois as discussões giram em torno dos discursos de esquerda e de direita),já que ainda não deram as suas razões para o ato, que provavelmente ao serem indagados, responderão: “Estamos nos divertindo”

    Responder
  108. Gislon Neto

    O conteúdo do texto é bom, apesar de comprometido pela escrita. Faltam vírgulas, aspas, parágrafos e letras maiúsculas. Vc. poderia revisá-lo em nome dos seus futuros leitores? Obrigado!

    Responder
  109. Tuca Passarelli

    Sinto falta de uma premissa muito relevante nessa análise, quase justificando essa ausência pelo distanciamento da analista em relação ao cotidiano no qual se deu o fenômeno do rolezinho: a perspectiva econômica, aquela menos rasa, que conhece o quanto desejo e consumo estão alinhados, e em todas as classes, pode ser a maior motivadora não só desse, mas de vários outros fenômenos de rua – ouso dizer que inclusive os estapafúrdios R$ 0,20-, e que refletem única e exclusivamente o equívoco maior dos últimos 12 anos do governo brasileiro, capitaneados pelo PT: como reflexo de algum transtorno de identidade socialista, ao modificar o caráter do Bolsa-Escola (complemento estatal de renda para garantir a presença de crianças na escola) em Bolsa-Família, resolveu-se muito pouco além da fria estatística de gente “saindo da linha da pobreza” por causa de coisa de 50 reais, mas, com a abordagem político-eleitoreira, o que se teve como resultado foi a valorização da identificação do eterno POBRE, Porque, para haver muita gente se beneficiando eternamente do Bolsa-Família, retribuído em forma de VOTO, o POBRE precisa ser eterno.
    Ou seja, para um partido que acredita numa única classe social, falência de ideias. Além disso, como a única coisa que cresceu na estrutura do país foi o consumo – sem investimentos, sem fomento à concorrência, e, portanto, sem a integração REAL das classes mais pobres ao rol dos empregados, estudados e alimentados -, eles também só tiveram a cultura do consumo de ostentação a que se agarrar. Ou seja, o fenômeno do rolezinho NÃO é o mesmo da descida do morro, por assim dizer. Esta era estrutural, herdeira do abismo social de algumas décadas atrás (e que é maior ainda hoje, “como nunca antes na história deste país”, pois os ricos ficaram ainda mais ricos), enquanto aquele mostra somente o “nivelamento por baixo” no desenvolvimento social do país: agora, TODAS as classes atuam no mesmo padrão de ostentação, no confronto da periferia com o … o… o nada. O ppp pobre-preto-perifa invade o shopping, assim como o assalariado invade Miami e o mais endinheirado invade Mônaco. TODOS, invariavelmente, tentando habitar aquilo que o seu país não lhe deu. A questão simplesmente não se resume à perspectiva sociológica nem antropológica.
    De toda forma, estão bem mais “errados” os que exploram essas manifestações sob o véu de seus próprios credos políticos (existe uma esquerda religiosa ascendente na América Latina, inclusive nas academias, que quase reza para seus santos – porque o dízimo, já recolhem), em vez de assumir o poder e proporcionar vida digna DE FATO (e não apenas na propaganda do João Santana) aos jovens brasileiros, em sua imensa maioria, pobres e sem perspectiva ou oportunidades.
    E, claro, aqueles que tentam alcançar prestígio, fazendo a análise da moda; algumas por aí com uma linguagem bem confusa e nenhuma clareza analítca. Importante é dizer que tem “pena” da meninada pobre. (do alto da própria burguesia).
    A “inteligentzia” brasileira dá medo.

    Responder
  110. Ivan

    Infelizmente podemos perceber que quando uma mente psico burguesa preconceituosa vira antropóloga e socióloga é ainda para oprimir mais a massa já diariamente oprimida pelo industrialismo desvirtualizado hoje do presente. Homi Bhabha é muito mais profundo que uma necessidade de pertencimento a marca apenas. Realmente o processo de alienação é para qualquer um mesmo. Enquanto uns nem sabem o que estão fazendo com seu objeto de conhecimento, e vem apenas a explora-lo pelo simples e bel prazer superlativo de comparação, onde ao que parece você sempre será a melhor e sempre estará subjetivamente para você numa posição favorável de dominador-dominado, no conforto de suas ideias superficiais e consumistas, outros além de sofrerem restrições violentas ainda tem que ser cobaias para artigos desse teor. Sinceramente o único pedido que faço a esse Sistema hipócrita é que menos pessoas como você consigam ter acesso a áreas comum do conhecimento humano, pois pessoas com sua estirpe atrapalham ainda mais um possível processo de equiparação material e moral hoje no mundo, possível, mas não enquanto opiniões superficiais e tolas puderam ainda ser disseminadas. Para mim é um cúmulo suas ideias e comentários. Consequência da modernidade. Suas ideias agregam contradição e hipocresia. Passar bem.

    Responder
  111. Murilo Cleto

    Seu texto foi uma das maiores contribuições pra discussão racional deste fenômeno. Fico feliz de ter te descoberto. Pelo lista de comentários, é bem visível quem se incomodou, tanto com o rolezinho, quanto com a problematização da repressão policial e judiciária dele. “E não há nada mais inadmissível do que uma pobreza que não se contenta apenas em comer”: http://murilocleto.blogspot.com.br/2014/01/o-rolezinho-do-ressentimento.html

    Abraços,
    Murilo

    Responder
  112. Murilo Cleto

    O seu comentário aguarda moderação.
    Seu texto foi uma das maiores contribuições pra discussão racional deste fenômeno. Fico feliz de ter te descoberto. Pelo lista de comentários, é bem visível quem se incomodou, tanto com o rolezinho, quanto com a problematização da repressão policial e judiciária dele. “E não há nada mais inadmissível do que uma pobreza que não se contenta apenas em comer”: http://murilocleto.blogspot.com.br/2014/01/o-rolezinho-do-ressentimento.html

    Abraços,
    Murilo

    Responder
  113. Murilo Cleto

    O seu comentário aguarda moderação.
    Seu texto foi uma das maiores contribuições pra discussão racional deste fenômeno. Fico feliz de ter te descoberto. Pela lista de comentários, é bem visível quem se incomodou, tanto com o rolezinho, quanto com a problematização da repressão policial e judiciária dele. “E não há nada mais inadmissível do que uma pobreza que não se contenta apenas em comer”: http://murilocleto.blogspot.com.br/2014/01/o-rolezinho-do-ressentimento.html

    Abraços,
    Murilo

    Responder
  114. Murilo Cleto

    Seu texto foi uma das maiores contribuições pra discussão racional deste fenômeno. Fico feliz de ter te descoberto. Pela lista de comentários, é bem visível quem se incomodou, tanto com o rolezinho, quanto com a problematização da repressão policial e judiciária dele. “E não há nada mais inadmissível do que uma pobreza que não se contenta apenas em comer”: http://murilocleto.blogspot.com.br/2014/01/o-rolezinho-do-ressentimento.html

    Abraços,
    Murilo

    Responder
  115. Caroline Santos

    Primeiramente gostaria de parabenizar pelo texto, realmente alguém que consiga ver o outro lado dos rolezinhos tão perfeitamente. A mídia mostra um lado marginalizado impondo a população contra os indivíduos participantes.
    Que todos tenham a possibilidade de ler esse texto.

    Responder
  116. João Lúcio

    Parabéns pelo texto. A hierarquização da nossa sociedade aliada ao apartheid social gera esses tipos de comportamentos e reações, assim como a possibilidade das camadas mais pobres terem a facilidade de fazer um crediário ou pagar a dinheiro vivo seu sonho de consumo. Até bem pouco tempo isso era impensável. Os filhos dos trabalhadores pobres podem e devem sim conquistar espaços antes só frequentados por jovens de classes mais abastadas. Mas seria um progresso maior se esses mesmos jovens do subúrbio frequentassem museus, teatros e bibliotecas. Isso talvez seja uma questão de tempo para que isso aconteça, pois os mesmos são vítimas do consumismo e da padronização de comportamentos.

    Responder
  117. Tiago Diogo

    Prezada Rosana,
    Entendo a profundidade do debate proposto. Entretanto, não vejo esse pano de fundo (aceitação através do uso de marcas) como um movimento realmente importante e efetivamente capaz de mudar alguma coisa para essas pessoas. A segregação social e racial existe sim, mas a melhor forma de discuti-la não me parece ser através da reivindicação do direito de ir ao centro do consumo ostentando apetrechos fúteis que simbolizam um poder financeiro que nem todos conseguem ter. Parece-me que isso (marcas, ir ao shopping etc) é muito raso para sensibilizar a sociedade e promover um debate sobre o verdadeiro problema.
    A propósito, sou negro, meus pais são pobres e morei grande parte de minha vida em bairro periférico da Região Metropolitana. Em vez de gastar com roupas de marca e participar de “rolézinhos”, usava quase todo meu salário para pagar minha faculdade. Em seguida, fiz pós-graduação e hoje tenho uma renda relativamente satisfatória que me permite ir ao shopping e a muitos outros lugares, diga-se de passagem, sem ter qualquer marca estampada em minhas roupas, muito embora pudesse fazê-lo.
    Me preocupa muito mais é o preconceito para com aqueles que tentam sair dessa condição investindo horas, meses e anos de seus esforços em estudo e ainda assim são, de forma velada, discriminados em situações profissionais, acadêmicas e tantas outras. Isso mostra na prática que o problema da inclusão social vai muito além da condição econômica (ou da demonstração dela), instrução escolar ou local de residência do cidadão.

    Responder
  118. Pingback: Rolezinho nos Shoppings – Ei – você já leu este artigo – um dos mais acessados sobre o tema? Etnografia do rolezinho por Rosana Pinheiro-Machado | Blog do MaLuComg - O Blog de 1 milhão dos melhores leitores da internet(meta 2014) e qu

  119. edson

    bora fazer um rolezinho numa biblioteca ou numa agencia de emprego , esses “excluídos” não querem haa por favor, um bando de vagabundos desocupados!

    Responder
  120. Pingback: contemporânea » Blog Archive » A palavra é rolezinho

  121. Pingback: A Direita, o Rolezinho e o Caviar | Capitalismo em desencanto

  122. Pingback: Rolezinho, engajamento de marca e mídias sociais

  123. Pingback: Etnografia do “rolezinho” | Nuvem de Ideias

  124. Pingback: “A Direita, o Rolezinho e o Caviar”, por Roberto Moll | L´obéissance est morte

  125. Pingback: A Direita, o Rolezinho e o Caviar | andarilhochico

  126. Rafael Orlof

    Muito bom o texto Rosana.
    Cada vez mais estamos nos embriagando com essa lucidez estonteante, com essa falta do que fazer, falta do que pensar, apenas por nos deixar levar pelo fluxo, refluxo do sistema mecânico de nos relacionar, cada vez mais vejo almas aprisionadas, pedindo socorro querendo gritar…Lucidez essa que nos desmotiva a cota gota, trabalhe, tenha um celular, compre o que quiser comprar, estude para continuar a trabalhar. Estamos num caminho sem volta, onde vendemos nossa infância, em trocas dos porque, quantas vezes você sorriu hoje? Quantos porquês você já falou hoje? Assim a Lucidez do descaso se apresenta a nós, e uma vez embriagado desta fonte, a volta fica cada vez mais distante.

    Responder
  127. Pingback: Limites entre a liberdade de expressão e a violência simbólica | Rosana Pinheiro-Machado: Brasil, China e o Sul Global

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s